28 abril 2006

foi ontem

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Ontem fomos a causa do teu padrinho e como estávamos à vontade e tínhamos net mostrei à tua mãe esta nossa converseta que temos andado a manter longe dos olhares e ouvidos dos demais.

Depois falas com ela.
Acho que gostou muito. diz que eu sou um chato de primeira, mas que tu, obviamente, és um espectáculo de filho. Que se há-de fazer... Ela é toda babada por ti. Não ligues. As mulheres são mesmo assim. Lamechas. Temos que agarrá-las muito. Nós, homens, é que não, pois não filho!

Quer dizer...
Agora que penso nisto e como tu ainda não nasceste, reflicto e reparo que posso estar a falar não com o meu filho mas com a minha... filha.

Olá filhotaaaaaa!!!
Como estás!
Tudo bem?
Ehr....... o pai tem que ir ali enfiar a cabeça na areia e comer relva, mas já volta, está bem!?
Beijinhos enormes!
Eu já volto.

26 abril 2006

LIBERDADE

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amarmos a vida sem ressentimentos.
expressarmo-nos com a força de um beijo.
irmos sem grilhões com a nossa vontade até onde começa a liberdade do próximo.
caminhar dentro e fora do risco.

se algum dia eu o esquecer, lembra-me de todos os dias regar essa árvore que se chama liberdade e nunca tomá-la por cuidada.

o bom tempo

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Os últimos dias têm sido assim: cheios de sol e com uma brisa fria ao final da tarde a enregelar os mais desatentos.
Também assim comigo e a tua mãe.

Os corações vão voltando a aquecer-se, mas há ainda momentos de gelo, quando reencontramos algo teu, algo que tínhamos feito para ti, comprado para ti, aquelas fotos tiradas aqui e acolá a apontarmos para a barriga, os sorrisos de um dia em que falámos sobre ideias, sonhos e receios...

Fomos sempre colocando a hipótese de as coisas poderem não correr pelo melhor num simples "bate na madeira". Quase nunca queremos pensar nisso, ouvir isso. E no entanto...

Já passou pouco mais de um mês, e neste momento tudo vai alternando entre dias que parecem não estar longe o suficiente para esquecer e outros em que parecemos já quase conseguir agarrar no futuro e na esperança de que tudo corra pelo melhor da próxima vez.

Para já, é quarta-feira. Mais um dia em que eu e a tua mãe não deixamos de pensar em ti. Mais um e outro dia a restabelecer forças e ânimo e a desejar com muita força que da próxima todos nós, os três, possamos dar as mãos e agarrar-te à Vida para não mais largá-la.

fotografias

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espero que venhas a gostar delas, do deleite de recordar os instantes gravados, da magia dos sorrisos e olhares, de captar e guardar em álbuns rechonchudos pequenas colectâneas de gente conhecida, próxima, menos próxima, incomum, estranha e até e apenas pedaços ampliados de tecido, fruta, solo, pele...

24 abril 2006

passo a passo

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ainda tu vens a caminho apenas no nosso desejo e vontade e somos nós, afinal, que recuperamos do tombo e vamos dando os primeiros pequenos passos.

este fim-de-semana fomos, de novo, entrando numa e noutra loja, vimos alguns brinquedos, os carrinhos de bebé, esta e aquela promoção, um edredon e mais um isto e um aquilo.

desta vez, contudo, o ânimo foi contido, o receio a meias em todo o lado, a discrição sempre presente, o refrear dos sonhos lado a lado bem como a consciencialização de que o nascimento de uma criança é tantas vezes algo tão natural e 'normal' como igulamente raro e único, fantástico e maravilhosamente especial.

no sábado fomos conhecer um amigo teu; chama-se Vicente. é o filhote do Sérgio e da Fátima e é um baril. Estivemos com ele duas horitas e portou-se lindamente. Tem 1 mês e eu não quero mentir, mas acho que ele me estava a dizer como era injusto não terem todas as casas um pátio, para se poderem fazer churrascos no Verão e termos todos um animal de estimação. Tal e qual.
(eu não disse isto a ninguém; a conversa ficou só entre nós...)

21 abril 2006

Amo-te

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Ainda não disse à tua mãe que ando a escrever estas cartas contigo.
Queria-lhe fazer uma surpresa, quando tivesses três meses.
Estivemos tão perto. Tu e eu. Mais algumas semanas e terias três meses e eu diria "olha o que eu e o Diogo andámos a fazer para ti!".
Ainda não disse. Depois de partires e de voltarmos ao nosso silêncio a dois, lembrando-te, fiquei ainda com mais receio de lhe mostrar coisas "que poderiam ter sido e não foram".
Mas porquê? Não vale a pena. A verdade, a vida, o real, o que aconteceu não muda nem passa.
Mas também tu não passas. Estás aqui. Connosco. Adoramos-te. Mesmo que apenas de longe, a brilhar no céu, à noite, distante mas tão perto.

Este post que aqui vem é o primeiro da tua mãe.
Ela ainda não sabe, vou-lhe mostrar hoje.
Aqui segue a carta mais maravilhosa, o texto mais apaixonante que a tua mãe escreveu para ti, para nós.

Para que saibas que te amamos e sentimos muito, muito, muito, tanto a tua falta:



Não sei o que dizer, as palavras ficam presas na minha garganta, recusam-se a sair. Tenho-me sentido tão triste, tão sozinha, tão vazia. Passo os dias a imitar felicidade e alegria. Passo os dias a fingir que está tudo bem, que sou capaz de ultrapassar isto. Mas quando chego a casa, e fico sozinha, não consigo mais fingir. Cada vez que fecho a porta atrás de mim, o vazio instala-se. O silêncio tortura-me. Cada vez que entro, sonho ouvir o teu riso, a tua voz. Cada vez que chego a casa, sonho ouvir "mãe, chegaste!", e isso dói tanto, tanto.

Eu sei que o tempo não volta atrás. Eu sei que nada poderia ter sido feito. Eu sei que te perdi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei que estas lágrimas vão continuar a cair por ti. Eu sei que a minha dor um dia vai diminuir. Eu sei, eu sei, eu sei... Mas custa tanto sentir a injustiça de tudo o que aconteceu. Tu merecias ter vivido, tu merecias ter tido uma oportunidade. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim, preciso que me perdoes por não ter sido capaz de proteger e salvar.

Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo que isto não passe. Tenho medo de não conseguir ser forte. Porque tudo agora é tão assustador. Sempre controlei tudo na minha vida, percebes? E de repente, vejo-me aqui. Frágil, vulnerável e fraca. As lágrimas surgem do nada e são cada vez mais difíceis de esconder. Penso em ti e a saudade é tanta, tanta. Penso no que poderia ter sido. Penso em tudo o que faríamos juntos. Penso, penso e penso...

Reparaste? Já passou 1 mês. Nunca imaginei que alguma vez eu pudesse sentir tamanho desgosto. Perdi-te, filho, perdi-te. E dói não ter resposta aos meus porquês. Porque teve de ser assim? Porque tive de perder o meu maior sonho? Porque tem de ser tão difícil? Porque tenho de me lembrar de ti todos os dias? Porquê? Porquê?

Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Desculpa mas não compreendo que sejas mais importante noutro lado, do que aqui connosco. Parece que estavas destinado a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei…

Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre o nosso primeiro menino. Amo-te.



20 abril 2006

um mês

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Há um mês atrás, a tristeza, a desilusão, a terrível verdade de que não estavas presente deixou-nos, a mim e à tua mãe, de rastos. Hoje a vida recuperou um pouco do seu ânimo, mas o tempo frio, ventoso e chuvoso que se tem feito sentir não deixa de estar em concordância connosco. Aqui e ali, algures uma hora e pouco mais, vão surgindo algumas 'abertas'. Tiramos os casacos, suamos um pouco, mas logo depois vem um vento frio, uma 'morrinha', um aconchegar do edredon.

Já lá vai um mês.
Vai-nos aguantando o permanente diálogo contigo e a esperança de na próxima tentativa podermos sorrir sem sobressaltos até ao fim...

07 abril 2006

um dia de cada vez

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desculpa-me se o trabalho em excesso me tem feito passar os dias de forma menos dolorosa.
desculpa se há datas que imaginámos em conjunto e quando chegam ainda nos doem porque nos lembram de ti.
desculpa se ainda custa.
desculpa se mantemos este egoísmo e hesitamos por vezes em olhar mais para o futuro.
desculpa.
estou a fazer um esforço.
queremos-te, desejamos-te, esperamos-te; temos apenas receio dq que este milagre que é originar uma Vida nos escape por entre os dedos.
mas confia em nós.
ficaremos mais fortes.
juntos.
os três.

03 abril 2006

em recuperação

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olá filhote.

este sábado a tua mãe andou bastante melhor.
passeámos pelo parque eduardo VII, pelo jardim da Amália, pelas ruas, fomos à Zara (onde a tua mãe comprou uma camisa de cetim que lhe assenta espectacularmente) e depois fomos ao cinema. Ficou bem mais animada.

Depois, de surpresa, arranquei e levei-a ao cabo espichel.
era uma da manhã quando chegámos. A Lua estava a desaparecer e ficámos a vê-la. Desapareceu por completo, num misterioso eclipse ou coisa parecida. No céu, a tua mãe disse adeus a uma estrela muito, muito brilhante. Disse que eras tu que estavas ali em cima, a brincar e a dizer olá.
- Olá Diogo!, disse ela baixinho.

Olhamos-te os dois. Eu tentei tirar uma fotografia, mas apesar da exposição demorada, as pilhas foram-se! Troquei por outras e a segunda tentativa mostrou apenas um céu com uns pontinhos muito fraquinhos. Ali estavas tu, tão pequenino e brilhante.

Temos que acreditar que o que aconteceu foi apenas um percalço, algo normal e Natural (assim, com N grande). Tu vais nascer. Forte e saudável. Provavelmente em Maio, para seres teimoso como uma mula, igual aos teus avós!

Até lá, vamos falando por aqui.
Um abraço muito, muito forte, filhote!
 

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