09 agosto 2006
sustos
Ontem tivemos um grande susto.
Às 19h fui a voar para casa, depois de um telefonema da tua mãe que me deixou em pânico. Pensávamos que te tínhamos perdido. A tua mãe quase desmaiou e estava extremamente enjoada, como eu nunca a tinha visto.
Fomos às urgências da MAC e depois de uma triagem rápida e de uma outra mãe nos ter passado à frente, pensava que as respostas viriam cedo, mas depois das 21h ficámos quase mais três horas à espera. Veio a médica, fez uma ecografia e viu que, felizmente, a tua mãe não tinha uma Ectópica. Ainda não vemos o teu embrião, pelo que a médica disse ser normal (afinal, ainda só estás de 5 semanas) como disse poder ser de novo um 'ovo branco'. Mandou fazer nova Eco daqui a duas semanas. Agora pedimos por tudo que estejas bem, a crescer, a agarrar-te cheio/a de saúde à Vida e que daqui a duas semanas te vejamos com o coração a palpitar.
Hoje de manhã bem cedo a tua mãe foi logo comprar o Nausafer, mas ainda não fez efeito.
A tua avó deve vir ter connosco este Domingo ou Segunda-feira próxima.
A casa vai estar cheia, portanto.
Um enorme beijo.
Cuida bem da tua mãe.
Ela é a mulher mais linda e corajosa que algum dia irás conhecer. Adora-te. E está a fazer tudo por tudo para que cresças bem, com saúde e muita energia.
08 agosto 2006
Olá filhote! Já vens a caminho.
comprámos ontem o teste (Predictor - sim, tem um nome entre o óbvio e o horripilante, eu cá acho que podia ser o nome de uma arma mortífera num filme qualquer de segunda categoria) em Alfragide (€8 - mas no Colombo custava €22!!!) e hoje de manhã a tua mãe acordou primeiro que eu.
Fez o teste e ficou tão nervosa que me veio chamar para eu ir com ela ver o resultado.
E ali estava, de novo, como há 7 meses atrás, aquela esferazinha cor-de-rosa no centro, a confirmar o que já sabiamos bem cá dentro: estás ali, no ventre da tua mãezoca, bem agarradinho/a.
Agora só queremos aproveitar este tempo em que tudo o que sabemos é que estás presente.
Seguir-se-ão daqui a alguns dias ou semanas os primeiros exames, e aí, o novo nervoso. Desta vez, sim, estamos muito melhor informados, e na primeira ecografia já vamos saber se tudo corre bem, ou não. Queremos muito que tudo esteja bem contigo, que estejas a crescer saudável e que assim continue por mais 8 meses.
um beijo dos pais babados.
manda notícias.
07 agosto 2006
one day to go...
mas falta já pouco para saber se estás, de novo, a caminho.
a tua mãe voltou a ter fortes enjoos, hoje.
o calor é muito (33º) e isso pode justificar muitas situações, mas eu e a tua mãe sabemos claramente que isso não justifica tudo; amanhã saberemos; não gostamos de segundas-feiras e, de certeza, tu também não; por isso, preferimos aguardar mais um dia para fazer o teste.
menino ou menina, temos grandes razões para crer que estás neste momento a esticar as tuas mãozinhas ainda por criar ao ventre da tua mãe. Se ficarás bem, até ao fim, isso já é outra história. Nós, pelo nosso lado, acreditamos cada vez mais que sim, porque só acreditando poderemos arrancar os medos da frente e construir uma estrada mais livre, mais interessante, mais positiva e acolhedora para que também tu caminhes nela.
a tua mãe sonhou hoje que te segurava nos braços; eu sonhei que a tinha a ela nos braços.
Quem sabe, isso não quererá dizer alguma coisa. A verdade, contudo, é que a nós os sonhos pouco importam, porque é de ti, é da tua voz, que queremos ouvir muitas, imensas, infinitas coisas - boas, más, doces, delicadas... do riso ao choro, do suspiro ao poema.
que venhas.
e venhas bem.
é tudo e unicamente o que desejamos.
01 agosto 2006
...será?
Será, filhote?
Será que, de novo, estás a caminho para desta vez juntarmos ainda mais as forças e podermos finalmente dar-te beijos e acariciar-te a pele daqui a 9 meses?
A tua mãe está desconfiada e tenta não pensar muito, para o caso de não ser verdade.
Mas eu já lhe disse que tu e eu fazemos um par perfeito e de certeza que, mesmo não sendo agora, tu estarás a caminho, não tarda!
Aliás, eu bem te disse - se deslizasses daquela maneira que eu te tinha dito chegavas mais depressa ao óvulo; Foi ou não foi? Estás a ver!?
Ah, e obrigado pela dica! A tua mãe gostou muito das festinhas no cabelo como me disseste para fazer.
24 julho 2006
Aprender e Saber
foi muito giro; já aprendi uma data de coisas.
ainda só vamos na fase da concepção, ou seja, tu ainda nem vens a caminho, nós é que te estamos a chamar; há ali uns dias com umas temperaturas muito alteradas e baixas, e depois quando a tua Mãe fica assim com os calores, de um dia para o outro, é aí que os pais devem juntar forças e chamar pelos filhotes a valer. senão, só dali a mais um mês é que podem voltar a tentar.
é realmente um milagre!
um dia, daqui a algum tempo, depois eu explico-te isto.
(mas não digas à Mãe, porque ela fica logo muito corada e muito embaraçada; se ela perguntar do que estávamos a falar, diz não sei quê das cegonhas e das abelhas -- isso convence-as sempre )
21 julho 2006
18 julho 2006
dias estranhos
o verão estacou, choveu e ventejou;
agora já o sol bate forte de novo, mas ainda está fresco.
um dos teus popós está no médico; soluços no escape; esperemos que não seja nada de grave...
Seja como for, o medo maior vem cá de dentro, não do que se vê aqui fora. É algo que te posso garantir. E é algo com que temos de viver. Há sempre gente que assusta, coisas que destroem e ainda mais coisas feias.
Mas nem sempre é feio o mundo. Aliás, são muito mais frequentes os bons momentos, mas não sei porquê parece que os maus têm uma força que perdura no tempo e ofusca as cores dos tempos bons.
Uma das nossas lutas é, portanto, dia a dia, essa mesmo: lutar contra os maus momentos e contra o espaço que eles ocupam, esvaziando ao máximo a nossa Vida deles para que caibam sempre mais e mais coisas boas, bons momentos, boas memórias, boas histórias.
Por isso, cá te esperamos. Para que te possamos ajudar a encher essa Vida, preenchendo as prateleiras da memória com excelentes ideias, reflexões, passeios e tantos sabores mais. E tu, pelo teu lado, de certeza encherás a nossa vida também.
Sem qualquer esforço.
14 julho 2006
Serão Para Ti
a tua mãe e eu já temos a colecção completa dos livros do Calvin & Hobbes.
São também para ti.
Um dia, eles serão teus e poderás também passar aos teus filhotes.
Têm já os cantos de algumas folhas dobrados, para saberes onde estão as tiras que o 'papai' e a 'mamãe' mais gostam. Podes também dobrar as tuas. De facto, com o tempo, o mais certo é redescobrir outras e mais outras e ficarem todos os cantos dobrados.
Espero que venhas a gostar o Calvin e do Hobbes, para depois nos rirmos muito.
A tua mãe já anda mais alegre, mais sorridente, com a esperança a renascer-lhe pela boca, pelos sorrisos cintilantes e cristalinos; talvez o Verão... talvez o tempo, que não apaga mas distancia os maus momentos e nos ajuda a poder pensar nos que estamos a viver, quem sabe - nos que iremos viver.
És aqui esperado com muito carinho.
Por mim, pela tua mãe, pelo Calvin, pelo Hobbes... e lá em casa pelo Magalhães, pelo Jolyma, pelo piguito, pela Inês, pelo Sr. Incrível, pelo Buzz, pelo Jack, pela Sally, por tantos e tantos mais amigos que de certeza vais fazer.
Menino, menina, tanto faz. Escolhe tu a cor. Não venhas com pressas. Vem quando achares que estás preparado. Mas lembra-te: mesmo que sintas que nunca estás, o pai e a mãe estão aqui para te dar uma ajuda. Por isso, não precisas nunca esperar pelo momento certo. E quase nunca existe. Somos nós que o fazemos, contornamos, decoramos, texturamos.
São tudo palavras difíceis. Mas apenas porque não é fácil passar para elas o nosso apelo.
Até lá, até nos dizeres "estou aqui!", vamos recolhendo experiências para depois te contarmos e passarmos uns óptimos serões.
12 julho 2006
10 julho 2006
Os valentosos dias
Foram relatos de casais, mulheres, homens, pequenos petizes a caminho de terem um irmão ou irmã, médicos e outros tantos. E fica a clara noção, uma vez mais, de que tu és um milagre a caminho do ventre da tua mãe.
Os dias passam com a esperança de que este seja o primeiro mês em que tudo já decorra normalmente. Desde que a tua mãe deixou de tomar a pílula, pela segunda vez, para poder engravidar de ti, sabe agora que voltará a ter a irregularidade no período que tinha há anos atrás. Teremos de estar atentos, portanto, para que te possamos chamar na altura certa e não deixar escapar esses breves instantes pelos quais passas por nós, à espera que te agarremos a mão para te darmos vida.
Os valentosos dias, portanto, são mais estes, como tantos outros, em que enfrentamos a incerteza com a esperança, em que combatemos a angústia com o sonho e a determinação, em que abanamos os medos com esta vontade imensa de te trazer a este mundo.
E de novo, à eterna pergunta que todos nós em adolescentes perguntamos sem bem saber a resposta - - "Porquê? Porquê trazer mais uma criança ao mundo?". A resposta, essa, parece cada vez mais simples e óbvia: porque no fundo, no fundo, é para isso que todos nós cá estamos, ao contrário do que tantas vezes o mundo em redor nos quer fazer acreditar ou desviar.
05 julho 2006
...de volta.
há lá coisa melhor no mundo?
passeámos por Barcelona (onde a tua mãe não resistiu a comprar umas coisinhas para ti, na Chicco), passeámos pelo Porto, por Viana, Ponte de Lima, Coimbra.
Em Barcelona a tua mãe teve um susto grande; pensava que estava com o período, mas pelos vistos, pelo que a tua avó disse, o líquido que ela perdeu é normal, fruto da primeira tentativa que não correu bem, no início do ano. Falámos com uma médica, em Coimbra, que assegurou que agora estaria tudo no normal, mas infelizmente há 4 dias atrás a tua mãe teve o período, o que significa que não vens ainda aí... Foi bastante intenso, pelo que a tua mãe e eu achamos que terá sido um aborto espontâneo.
Queremos muito que tenhas a tua oportunidade, de te dar vida, e que sejas um miúdo ou uma rapariga espantosamente espectacular. Temos a certeza que sim. Até lá, continuaremos a aguardar pacientemente e claro, com algum frenesi no estômago.
Hoje a tua mãe vai ver um ginecologista, para saber a opinião sobre o que pode estar a ocorrer.
Tem calma filhote/a. Nós somos mesmo assim, um pouco ansiosos. Tens que ter paciência connosco.
06 junho 2006
o corpo
com a nossa primeira tentativa, e apesar de teres ainda decidido aguardar mais um pouco, o facto é que o corpo dela mudou, começou logo a adaptar-se à tua chegada e em apenas dois meses alargou um poucochinho e a barriga dilatou-se ligeiramente.
hoje não conseguiu vestir as calças mais apertadas que tinha.
eu não consegui perceber se ficou triste por não conseguir vestí-las ou porque deixou de as conseguir vestir e afinal tu partiste... Acho que foram as duas coisas. Mas acho também que por um lado ficou contente por ver como o corpo dela iniciou logo uma adaptação à maternidade, à tua chegada. É um corpo lindo, magnífico, esplendoroso, e que tu vais adorar abraçar, beijar, agarrar e amar, tal como aqui o pai faz todos os dias.
também tu terás um corpo maravilhoso.
quem sabe, se serás rapaz ou rapariga, ou ambos.
a verdade é que o tempo passa, o nosso corpo cresce, transforma-se, range, estica, e segue connosco p'ra todo o lado.
por ora, os dias prosseguem e vamo-nos preparando para a tua chegada. não sabemos se já estarás pronto, mas desejamos-te imenso. queremos que venhas com vontade, com muita energia e imensa alegria; que seja porque também tu o desejas e porque ambicionas a Vida e toda a magnífica experiência.
resta-nos deixar passar mais algum tempo e ter esperança que um dia estaremos também nós a agarrar o teu corpo pequenino, a sorrir ao teu choro recém-nascido e a ensinar-te as primeiras palavras.
( não digas nada à tua mãe, mas eu acho que as primeiras palavras que tu devias aprender e que eu te vou ensinar são: malandrice, cerveja, férias, machu pichu e rock and roll; também acho que em vez de dizeres uma única palavra, a primeira vez que falasses podias logo dizer uma frase inteira, tipo "ó mãe, eu quero que tu compres um relógio novo ao pai com o dinheiro que vocês andaram a poupar para mim" - repara que na mesma frase dirias "pai" e "mãe", não deixando ninguém chateado! o que achas!? )
29 maio 2006
Vamos ao Jazz?
um Honda Jazz que eu e a tua mãezoca compramos em segunda mão em impecabilíssimo estado.
queríamos uma carrinha, mas infelizmente o pai e a mãe ainda não te vão poder dar uma tão cedo, por isso, temos um super carro todo janota e espaçoso e com ar condicionado, para que não sofras muito em dias de calor como os que têm estado.
na viagem de regresso a tua mãe trouxe o carro, um bocadinho nervosa e excitada. Vimos pelo tecto de abrir uma cegonha e pensámos em ti...
será desta?
19 maio 2006
as palavras
estudei-as na escola, estudei-as na faculdade; e reflicto nelas novamente, volta e meia.
creio que a natureza nos faz um grande favor, e tu vais vivê-lo, quando nasceres - - - ficamos algum tempo sem saber falar. só a escutar e observar. e deveríamos todos, ao longo da nossa vida, manter esse ensinamento.
sempre que puderes, observa com atenção as pessoas em teu redor. vais reparar como a grande maioria não controla as palavras. sabes, o ser humano, todos nós, somos essencialmente seres que vivem à base de impulsos, pulsões, ímpetos. depois, vais conhecer muitos que vivem ainda mais assim. outros menos.
mas no geral, verás como quase todos julgam que falam uma coisa, quando tantas vezes falam outra... por vezes até dizem coisas mesmo sem ter dito nada. mas se lhes perguntares, dirão que não, que sabem exactamente o que dizem e o que querem dizer.
eu sei que isto é ainda muito complicado para estares a ler e perceber, como és tão pequenino e nem estás ainda a caminho; mas um dia vais perceber e, quando o perceberes, não vale de muito tentares explicá-lo a muita gente, porque a maioria ou não quer compreender, ou não compreende mesmo.
é uma tarefa ingrata, isto de se saber e não ser possível explicar de forma simples uma coisa tão difícil.
seja como for, quero com isto tudo apenas que saibas que se um dia eu trocar as palavras ou com o silêncio te parecer triste, ou chateado, ou alheio, ou macambúzio, quero que feches os olhos e te recordes sempre: eu amo-te muito.
quanto aos outros, só poderás mesmo ter muita paciência.
nalguns casos, verás, o melhor é desistir; noutros poderás depositar mais fé.
mas isso, como te digo, logo verás, quando chegares, quando abrires os olhos e sorveres tudo o que o mundo nos oferece de bom, de mau, de infinitamente maravilhoso.
lembra-te apenas que maior conhecimento da vida e do Homem nem sempre significa vida mais simples; por vezes, com maior conhecimento surgem ainda maiores dúvidas. mas diso falamos noutro dia.
entretanto, aqui o pai vai à net ver mais uma vez a bicicleta que comprou ontem com o padrinho.
11 maio 2006
a contar os dias
surges-nos no horizonte, agora, do futuro.
vamos já pensando no que tentaremos e não no que tentámos.
o tempo, esse, continua a passar os dedos sobre os nossos cabelos.
vamos relaxando e deixando que mais um minuto passe, uma hora, um dia, e daqui a nada, três meses, e depois - tu.
08 maio 2006
Fuga à normalidade
ainda assim, sempre que possas, não digas "Quem me dera ser onda e chegar à minha praia".
procura mais e mais longe; rebenta com os horizontes e dá aquele passinho mais acima, mais além:
"Quem me dera ser praia e chegar à minha onda"
03 maio 2006
lemas para a vida
pior do que não fazer um bom negócio é fazer um mau negócio.
(e pior do que tudo isto é comer torradas frias)
28 abril 2006
foi ontem
Depois falas com ela.
Acho que gostou muito. diz que eu sou um chato de primeira, mas que tu, obviamente, és um espectáculo de filho. Que se há-de fazer... Ela é toda babada por ti. Não ligues. As mulheres são mesmo assim. Lamechas. Temos que agarrá-las muito. Nós, homens, é que não, pois não filho!
Quer dizer...
Agora que penso nisto e como tu ainda não nasceste, reflicto e reparo que posso estar a falar não com o meu filho mas com a minha... filha.
Olá filhotaaaaaa!!!
Como estás!
Tudo bem?
Ehr....... o pai tem que ir ali enfiar a cabeça na areia e comer relva, mas já volta, está bem!?
Beijinhos enormes!
Eu já volto.
26 abril 2006
LIBERDADE
expressarmo-nos com a força de um beijo.
irmos sem grilhões com a nossa vontade até onde começa a liberdade do próximo.
caminhar dentro e fora do risco.
se algum dia eu o esquecer, lembra-me de todos os dias regar essa árvore que se chama liberdade e nunca tomá-la por cuidada.
o bom tempo
Também assim comigo e a tua mãe.
Os corações vão voltando a aquecer-se, mas há ainda momentos de gelo, quando reencontramos algo teu, algo que tínhamos feito para ti, comprado para ti, aquelas fotos tiradas aqui e acolá a apontarmos para a barriga, os sorrisos de um dia em que falámos sobre ideias, sonhos e receios...
Fomos sempre colocando a hipótese de as coisas poderem não correr pelo melhor num simples "bate na madeira". Quase nunca queremos pensar nisso, ouvir isso. E no entanto...
Já passou pouco mais de um mês, e neste momento tudo vai alternando entre dias que parecem não estar longe o suficiente para esquecer e outros em que parecemos já quase conseguir agarrar no futuro e na esperança de que tudo corra pelo melhor da próxima vez.
Para já, é quarta-feira. Mais um dia em que eu e a tua mãe não deixamos de pensar em ti. Mais um e outro dia a restabelecer forças e ânimo e a desejar com muita força que da próxima todos nós, os três, possamos dar as mãos e agarrar-te à Vida para não mais largá-la.
fotografias
24 abril 2006
passo a passo
este fim-de-semana fomos, de novo, entrando numa e noutra loja, vimos alguns brinquedos, os carrinhos de bebé, esta e aquela promoção, um edredon e mais um isto e um aquilo.
desta vez, contudo, o ânimo foi contido, o receio a meias em todo o lado, a discrição sempre presente, o refrear dos sonhos lado a lado bem como a consciencialização de que o nascimento de uma criança é tantas vezes algo tão natural e 'normal' como igulamente raro e único, fantástico e maravilhosamente especial.
no sábado fomos conhecer um amigo teu; chama-se Vicente. é o filhote do Sérgio e da Fátima e é um baril. Estivemos com ele duas horitas e portou-se lindamente. Tem 1 mês e eu não quero mentir, mas acho que ele me estava a dizer como era injusto não terem todas as casas um pátio, para se poderem fazer churrascos no Verão e termos todos um animal de estimação. Tal e qual.
(eu não disse isto a ninguém; a conversa ficou só entre nós...)
21 abril 2006
Amo-te
Queria-lhe fazer uma surpresa, quando tivesses três meses.
Estivemos tão perto. Tu e eu. Mais algumas semanas e terias três meses e eu diria "olha o que eu e o Diogo andámos a fazer para ti!".
Ainda não disse. Depois de partires e de voltarmos ao nosso silêncio a dois, lembrando-te, fiquei ainda com mais receio de lhe mostrar coisas "que poderiam ter sido e não foram".
Mas porquê? Não vale a pena. A verdade, a vida, o real, o que aconteceu não muda nem passa.
Mas também tu não passas. Estás aqui. Connosco. Adoramos-te. Mesmo que apenas de longe, a brilhar no céu, à noite, distante mas tão perto.
Este post que aqui vem é o primeiro da tua mãe.
Ela ainda não sabe, vou-lhe mostrar hoje.
Aqui segue a carta mais maravilhosa, o texto mais apaixonante que a tua mãe escreveu para ti, para nós.
Para que saibas que te amamos e sentimos muito, muito, muito, tanto a tua falta:
Não sei o que dizer, as palavras ficam presas na minha garganta, recusam-se a sair. Tenho-me sentido tão triste, tão sozinha, tão vazia. Passo os dias a imitar felicidade e alegria. Passo os dias a fingir que está tudo bem, que sou capaz de ultrapassar isto. Mas quando chego a casa, e fico sozinha, não consigo mais fingir. Cada vez que fecho a porta atrás de mim, o vazio instala-se. O silêncio tortura-me. Cada vez que entro, sonho ouvir o teu riso, a tua voz. Cada vez que chego a casa, sonho ouvir "mãe, chegaste!", e isso dói tanto, tanto.
Eu sei que o tempo não volta atrás. Eu sei que nada poderia ter sido feito. Eu sei que te perdi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei que estas lágrimas vão continuar a cair por ti. Eu sei que a minha dor um dia vai diminuir. Eu sei, eu sei, eu sei... Mas custa tanto sentir a injustiça de tudo o que aconteceu. Tu merecias ter vivido, tu merecias ter tido uma oportunidade. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim, preciso que me perdoes por não ter sido capaz de proteger e salvar.
Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo que isto não passe. Tenho medo de não conseguir ser forte. Porque tudo agora é tão assustador. Sempre controlei tudo na minha vida, percebes? E de repente, vejo-me aqui. Frágil, vulnerável e fraca. As lágrimas surgem do nada e são cada vez mais difíceis de esconder. Penso em ti e a saudade é tanta, tanta. Penso no que poderia ter sido. Penso em tudo o que faríamos juntos. Penso, penso e penso...
Reparaste? Já passou 1 mês. Nunca imaginei que alguma vez eu pudesse sentir tamanho desgosto. Perdi-te, filho, perdi-te. E dói não ter resposta aos meus porquês. Porque teve de ser assim? Porque tive de perder o meu maior sonho? Porque tem de ser tão difícil? Porque tenho de me lembrar de ti todos os dias? Porquê? Porquê?
Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Desculpa mas não compreendo que sejas mais importante noutro lado, do que aqui connosco. Parece que estavas destinado a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei…
Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre o nosso primeiro menino. Amo-te.
20 abril 2006
um mês
Já lá vai um mês.
Vai-nos aguantando o permanente diálogo contigo e a esperança de na próxima tentativa podermos sorrir sem sobressaltos até ao fim...
07 abril 2006
um dia de cada vez
desculpa se há datas que imaginámos em conjunto e quando chegam ainda nos doem porque nos lembram de ti.
desculpa se ainda custa.
desculpa se mantemos este egoísmo e hesitamos por vezes em olhar mais para o futuro.
desculpa.
estou a fazer um esforço.
queremos-te, desejamos-te, esperamos-te; temos apenas receio dq que este milagre que é originar uma Vida nos escape por entre os dedos.
mas confia em nós.
ficaremos mais fortes.
juntos.
os três.
03 abril 2006
em recuperação
este sábado a tua mãe andou bastante melhor.
passeámos pelo parque eduardo VII, pelo jardim da Amália, pelas ruas, fomos à Zara (onde a tua mãe comprou uma camisa de cetim que lhe assenta espectacularmente) e depois fomos ao cinema. Ficou bem mais animada.
Depois, de surpresa, arranquei e levei-a ao cabo espichel.
era uma da manhã quando chegámos. A Lua estava a desaparecer e ficámos a vê-la. Desapareceu por completo, num misterioso eclipse ou coisa parecida. No céu, a tua mãe disse adeus a uma estrela muito, muito brilhante. Disse que eras tu que estavas ali em cima, a brincar e a dizer olá.
- Olá Diogo!, disse ela baixinho.
Olhamos-te os dois. Eu tentei tirar uma fotografia, mas apesar da exposição demorada, as pilhas foram-se! Troquei por outras e a segunda tentativa mostrou apenas um céu com uns pontinhos muito fraquinhos. Ali estavas tu, tão pequenino e brilhante.
Temos que acreditar que o que aconteceu foi apenas um percalço, algo normal e Natural (assim, com N grande). Tu vais nascer. Forte e saudável. Provavelmente em Maio, para seres teimoso como uma mula, igual aos teus avós!
Até lá, vamos falando por aqui.
Um abraço muito, muito forte, filhote!
29 março 2006
futebol
- encontras no futebol os melhores exemplos e comparações para o que se passa e se procura explicação para tantas coisas no dia-a-dia da vida moderna.
28 março 2006
pôr no papel
sabe tão melhor!
27 março 2006
desporto
se dois conselhos puderes guardar, em exclusivo, que sejam esses dois dos antigos gregos (grandes malucos por batas brancas e chinelas mal jeitosas), e que disseram isto muito bem dito, quiçá imbuídos pelo odor outrora limpo do mediterrâneo:
- conhece-te a ti próprio
&
- mente sã em corpo são
acredita nisto.
e olha que eu acredito e nunca andei de chinelas.
tempos mornos
fomos no sábado, de novo, ao Dª. Estefânia; a médica diz que o corpo dela está a reagir normalmente e recomendou que tomasse a pílula logo a partir de sábado.
nesse dia vimos lá uma mãe grávida de 5 / 6 meses, que afectou inclusive as próprias médicas de serviço; não soubémos o que se passou, mas o rosto daquela mãe e as lágrimas que ela verteu ao sair, quase sem se conseguir mexer, creio que nunca mais nos sairão da memória...
tu, pelo teu lado, terás de continuar a brincar por aí, algures onde estejas, saltimbanco por entre nuvens e jogos e cenários incríveis; os próximos três meses são para recuperação da tua mãe.
hoje ainda ficou em casa; está lá a tua avó, com ela; eu sou-te sincero - preferia que ela tivesse ido trabalhar, ocupar-se, enfrentar o mundo e partir o mais cedo possível para um recomeçar.
ainda correm algumas lágrimas, sobretudo no silêncio da noite quando o sono não chega, sobretudo quando se lembram datas que deveriam estar a acontecer; agora, só daqui a uns tempos...
vamos nós por aqui falando, no entretanto.
22 março 2006
Dias difíceis
a consulta com a ginecologista correu bem. segundo ela, e segundo os milhentos sites e fóruns consultados, cerca de 30% das gravidezes (credo, é mesmo assim que se escreve) acabam em aborto. Pelos vistos, e cruzando informação com a de outra ginecologista, o que aconteceu foi que se deu uma espécie de ovo-branco, um pequenino embrião que logo foi rejeitado pelo corpo mas que este, apesar de tudo, continuou a desenvolver no entretanto o saco e cordão umbilical; daí não se ver, nunca, nas ecograficas, sinal de embrião...
a tua mãe ficou menos devassada, sabendo por isso que já não estavas ali, dentro dela, dentro da barriga dela, paradinho, à espera de alguém a expulsar-te. Em vez disso, já te foste embora há bastante tempo. Agora é deixar os comprimidos actuarem, aguentar as enormes dores e esperar que o corpo, por si, expulse tudo de forma natural, para evitar a raspagem.
o mais curioso é que, agora que tivemos de contar o sucedido às pessoas que já sabiam da tua chegada, muitas vieram revelar que passaram por semelhantes casos. Abortos retidos, abortos espontâneos e demais casos, com maior ou menor gravidade, alguns até com risco de vida para a própria mãe pelo meio, todos surgiram, como nascidos de súbito de uma caixa fechada por chaves tabu que ninguém gosta ou quer revelar, lembrar, partilhar, senão quando outra pessoa, próxima, passa pelo mesmo.
São muitas, portanto, as histórias traumáticas, de lágrimas, suor e uma vontade enorme de deixar tudo para trás e esquecer, esquecer, esquecer...
21 março 2006
Olá Diogo. Adeus Diogo...
pelos vistos não resististe.
ontem fomos ver, afinal, de quantas semanas estavas.
sabíamos que a primeira 'eco' tinha sido demasiado cedo, que um pixel era brincadeira e que o médico tinha apontado no exame, como o teu tamanho aproximado de 2 milímetros, apenas como estimativa.
queríamos saber como estavas, queríamos sossegar-nos, ver-te a mexer, ali, no meio do escuro, depois de ter falado contigo, contado histórias e guardado segredo.
não te vimos.
apenas o saco da tua mãe, o cordão umbilical, e nada mais.
o médico não fez cara alegre, e estava tudo dito. ainda escreveu que será preciso fazer novo exame, daqui a uma semana. mas eu e a tua mãe sabemos, pelos maus sonhos que temos tido, que tu voltaste para o mundo das nuvens e das palmeiras, entre naves espaciais e bolas de berlinde e mil e uma outras crianças como tu, que ora vêm, ora vão...
resta-me resisitir, ajudar a tua mãe e guardar-te para sempre.
vamos-te recordar e amar sempre muito!
16 março 2006
trabalho...
(já viste a confusão que isto é, hum!?)
desculpa, por isso, andar a chegar tão tarde e deixar-te num reboliço sempre que chegam as 6 e as 7 e eu ainda tardo.
13 março 2006
barriguinha, et. al.
Eu já lhe disse que estas coisas levam tempo e como é a primeira gravidez dela ainda vai demorar a notar-se, mas que ela não se preocupe, que tu já deves andar aí por uns valentes metro e vinte, mais coisa menos coisa (desculpa se não acertei).
De qualquer forma, de hoje a oito dias terás a tua primeira Ecografia, esta sim, onde dará para ver como estás em forma, como bate o teu coração, qual é o teu filme favorito...
Até lá, vou-te pondo a par de mais umas quantas coisas verdadeiramente importantes na vida, como esta, por exemplo: o campeonato este ano está bem renhido! Nem fazes ideia! Vai ser até ao último jogo!!!
08 março 2006
ginecologia obstetrícia
estava nervosa, claro - a primeira consulta com a nova ginecologista.
levou uma ensaboadela de lições alimentares, cuidados pré-maternais e rituais de etiqueta sobre como usar a faca do barbecue sem sujar a camisa (ehr, acho que esta última não deram muito a fundo)...
a surpresa?
- pelos vistos, tens menos semanas do que supunhamos, pelo que a probabilidade de nasceres na mesma e igual data de aniversário da tua mãe é muito grande. Por mim, seria excelente! Estou-me sempre a esquecer e a confundir datas; assim, seria óptimo! Ah, e partilhavam as prendas, claro. Se bem que se fores rapaz talvez não venhas a gostar muito de receber soutiens rendados e perfumes Chanel...
o perigo?
- a médica pediu uma ecografia daqui a duas semanas, essa sim, a verdadeira, a primeira, a realmente visível ecografia onde poderemos saber ao certo quantas semanas tens, como está o teu coração, se estás vivo e de boa saúde, etc, etc...
Escusado será dizer que a tua mãe ficou em pânico!
- Como assim, se está bem de saúde?
- Bem, o feto pode não resisitir, nestas primeiras semanas há sempre o risco...
Para já, sou eu a tranquilizar a tua mãe.
Ninguém me tranquiliza a mim, mas eu estou confiante na tua coragem e na tua resistência.
Tu vais ser forte, não vais!?
06 março 2006
poderes
sobretudo nunca acredites no poder 'per si'.
mas acredita, sem dúvida:
-no poder das palavras
-no poder da música
-no poder da arte
-e claro, no poder das emoções humanas
podes-me confirmar?
- será que também tu, aí na barriga da tua mãe, já sentes quão difíceis são as segundas-feiras?
24 fevereiro 2006
eu vou, eu vou!...
ena!
hoje vais andar de avião pela primeira vez!
à Madeira!!!
a tua mãe fica sempre nervosa, por isso é natural que sintas alguma tensão aí dentro...
tem calma, agita as pernas e diz trinta vezes "a panela tem mais testos tortos que a tela tem pregos na madeira" e vais ver que isso passa. a médica disse que não havia problema em andar de avião; ainda estás de apenas 7 semanas;
não!
não estou a dizer que és criança, nada disso!
és um valentão!
uma durona!
é só porque.... enfim, são cuidados!
para além disso, daqui a semana e meia tens a tua primeira consulta com a tua médica obstetra e os resultados das primeiras análises, que vieram hoje, deram-te muito boas notas! tudo 20! ainda nem andas na escola e já és um mega-cérebro!
...agora não te ponhas com ideias de pegar no carro do pai sem eu saber , sim!!!
23 fevereiro 2006
carros!!! machines!!! cenas técnicas!!!
À partida, o modelo será o Ct.01, com rodas em plástico macio, amortecimento, reforço na cadeira (totalmente reclinável), travões por cabo, material impermeável, capa de chuva, capa/manta polar para as pernas e pés, suporte para biberon e guarda-chuva, punhos reguláveis e rebatíveis, sistema 'click' para colocação do 'ovo', rodas frontais direccionáveis ou com direcção bloqueada, arrumo em pé, e mais umas quantas mariquices.
Senti-me como se estivesse num stand a comprar o novo monovolume da X ou da Y!!!
Uau!
Afinal isto de vires a caminho não implica só roupas e fraldinhas e cremezinhos! Também temos direito, nós, homens, à nossa quota parte de pesquisa técnica na web e nas lojas. Sim senhor. Isto já começa mesmo a ter a sua piada!
22 fevereiro 2006
1 pixel...

Ainda perguntei ao médico se já conseguia ver se eras rapaz ou rapariga, ou se eras do Benfica, do Porto ou do Sporting. Ele só resmungou:
- Não vê que o ecrã é a preto e branco?
Médicos!
Não têm qualquer sentido de humor...
first day of rock-n-roll
vai fazer hoje a primeira ecografia.
pelos vistos, é hoje que lhe vão dizer ao certo quantas semanas tens (é curioso, começamos a medir a nossa idade em semanas, depos meses, depois lá nos vamos habituando aos anos para um dia, bem velhos, nem querermos saber da idade para nada) e acho que já vai dar para ouvir o teu coração (!!!)
confesso que estou um pouco chocado.
nem quatro milímetros tens e o teu coração já bate!
ainda vens a caminho e já me deixas completamente de boca à banda.
PS: o primeiro desconhecido a oferecer-te uma prenda já foi encontrado! é a editora da Verso da Kapa - diz que vai enviar um exemplar do livro da Stillwell, "Histórias para contar num minuto e meio" ,mas quer que eu lhe diga o que tu achaste. Por isso, já sabes: é um pontapé na barriga da mãe para "gostei" e 27 pontapés para "não gostei", ok?
20 fevereiro 2006
passeios & receios
ainda só tens quatro milímetros (dizem os livros) e já ficamos a imaginar como raio será isso de já teres um coração a bater! quatro milímetros!!! qual será o tamanho do teu coraçãozão!? 1 milímetro!? e já bate!!
ficamos nesta espécie de transe, meio incrédulos, e a verdade é que estes três primeiros meses são ao mesmo tempo um pavor.
cai uma chuva tempestuosa no Porto, onde fomos este fim-de-semana e onde atua mãe ficou ainda, para um congresso; ficamos a temer os condutores estúpidos e insconscientes que pululam as estradas; ficamos a temer ainda mais as constipações e as gripes; ficamos sempre atentos a qualquer sinal que dês, seja um arrepio, uma dorzinha, qualquer coisa...
passámos pelo shopping em dia de chuva torrencial, gastámos os vales que a tua tia nos deu pelo natal em saldos de roupas, andámos com a tua avó ainda meio incrédula a ver as diferenças entre os carros de criança.
ficamos assim, meio a medo, de nos tornarmos eufóricos.
é tudo tão delicado e parece ainda tão receosamente incerto e frágil que te peço para não fraquejares, para dares o teu máximo e lutares para vencer, crescer, nascer e dar-nos muitas dores de cabeça com as tuas maluqueiras de puto reguila ou miúda rebelde.
é um dia de cada vez.
a tua mãe ainda fica no Porto mais um dia.
eu já sinto saudades, pá!
15 fevereiro 2006
ansiedade
diz que não tem sintomas, por isso fica ansiosa por não ter sintomas.
diz que se não fosse o teste nem sabia que está grávida, e então fica ansiosa porque já não sabe se o teste estava estragado.
hoje vínhamos às análises, para ela tirar sangue, e então passou 2 dias ansiosa, mas como eu me enganei e só dá para fazer isso na sexta-feira, agora está fula comigo e ansiosa de novo porque tem de esperar dois dias.
a médica que nos atendeu foi super-porreira e tinha aquele british-humour (humor britânico, como se diz em português, sabes?), deu conselhos porreiros, deixou-nos à vontade, diz que vai ajudar no que puder e tentar saber algumas coisas que perguntámos, mas agora a tua mãe está ansiosa só porque ela lhe disse a brincar que "se calhar você nem está grávida".
com tanta ansiedade agora sou eu que até já receio que tu te sintas mal e a coisa agrave.
olha: tem calma com a tua mãe, ela por vezes, quando gosta mesmo muito de alguém, fica ansiosa, é como a paixão, a dopamina, sabes?
...bem, não sabes mas há-de saber.
tomara que tenhas alguma ocitocina a mais para contrabalançar, senão com a ansiedade da tua mãe e as maluquices do teu pai ainda viras um doidivanas de tal maneira que o caso não tem remédio!
13 fevereiro 2006
não há! não há!
por mais que pense e repense, é muito complicado!!!!!
desde os jogos de palavras com má intenção até ao simples mau gosto estético ou até por estarem fora de moda... que nome escolher?!
E depois, quando nasceres?
Posso escolher 'A' e quando te vir: "Xiii! Ele/Ela não tem nada cara de 'A'!!!!".
pior ainda:
- é tal a excêntricidade e espectacularidade de uma pessoa vir a ser pai que tu chegas a assumir contornos metafísicos e sobrenaturais, ao ponto de um tipo (podes ler - eu) pensar que tu mereces um nome único, só teu - - - afinal, porque é que o nosso filho há-de ter um nome igual ao de meio mundo!?
a minha ilacção?
-a de que a atribuição de um nome é a primeira lição da sociedade de que, de facto, para ela, tu és apenas mais um/uma no meio da chusma (multidão, malta, pessoal), a primeira grande chapada a um pai a dizer que cada ser humano que nasce, nosso filho ou filho de outro, terá de se destacar não pelo nome que lhe deram (esse comum, copiável, pobre, vazio) mas sim pelo que vier a fazer, pelo que defender, pelo que conquistar.
Por isso, estou já em fase de apostar mais numa fuga às cacofonias e associações parvas. Tão somente. Tudo o resto me parece plausível.
(excluam-se também nomes de super-heróis, que esses merecem sempre o nosso respeito)
11 fevereiro 2006
um dia saberás...
pois é...
ainda custa a crer.
aí vens tu.
e já se sabe: nos primeiros três meses estás em forma de feijoca, dentro da barriga da tua mãe, a prestar provas para a mãe Natureza te aprovar para a fase seguinte... ou não.
Eu acredito que sim. A tua mãe também. Todos, as tuas avós e o teu avô, os teus tios e padrinho - todos acreditam que te vais safar lindamente. Mas foram os poucos, por ora, que puderam saber já desta tua vinda. Os restantes terão de esperar. Por ora, é o meu apoio que tens para te safares da melhor maneira. Se precisares de ajuda, diz, que eu meto-me a caminho e os dois resolvemos tudo!
Seja como for, é quase cruel esta fase de contenção de alegrias.
Mais ainda: ninguém sabe deste diário. Nem mesmo a tua mãe.
(Ela diz que não vai escrever nenhum blog - mal sabe ela que eu e tu já o temos andado a desenvolver!...)
Quando atingires os três meses, revelo-lho e aos restantes amigos.
Até lá, isto vai-se mantendo entre nós.
ok?
PS: tira umas fotos enquanto estás aí - tenho pedido a muita gente, mas curiosamente todos deixaram nas barrigas das mães os desenhos, as fotografias, as notas que tiraram e até as pilhas dos carrinhos telecomandados...
10 fevereiro 2006
...foi hoje =D
ela diz que no teste apareceu uma grande pintarolas cor-de-rosa.
não sei se isso é sinal que és miúda ou miúdo, ou se é apenas uma cor 'default' que a malta das farmacêuticas inventou...
será que a cor já diz o sexo?
estou um bocado nervoso... fiquei com as mãos e as pernas a tremer...
agora estou curioso: será que na pinta também dizia que música estavas a ouvir?
pôxa...
isto é tudo um bocado estranho.
como dizia o anúncio: estou prestes a deixar de ser eu para passar a ser pai de um Tiago, de uma Beatriz ou de um Rodofredo ou até Bernardina!
ok...
estou mesmo nervoso. não sei o que raio estou para aqui a dizer...
bem, vou só ali dar um salto, apanhar uma cãimbra, cair e pousar mal o pé e dar um pulo ao hospital pôr gesso no dedo e já volto.
é hoje
Já a convenci a ir comprar o teste à farmácia e fazer hoje.
(não me queres dizer se ainda andas para aí a curtir ou se já meteste os pés a caminho, não?...)
07 fevereiro 2006
de loucos
o período (é mais uma coisa que um dia te explico; por agora é cedo; acredita que tens coisas mais porreiras para descobrir - como fazer um bom molho para as moelas, por ex.º) não veio faz quase quinze dias. Contudo, pôs-se a ler alguns blogs em que algumas mães dizem (uff!) que nos primeiros tempos também não sentiram nada; mas leu outros (p-â-n-i-c-o) que fruto de tomarem a pílula anos a fio ficaram com as hormonas todas avariadas e, enfim, ficaram dois anos e muitos comprimidos depois para engravidar.
a tua mãe só quer fazer o teste na sexta-feira, pelo que está ela nervosa e, graças a estas trágicas e dolorosas histórias, estou agora eu também.
eu já lhe disse que tu não irias ser mauzão/mauzona a esse ponto, e que já terias acertado os dias e tudo o mais; Mas há sempre imensas possibilidades de as coisas não acontecerem de forma fácil, natural e simples - e então connosco, que é sempre tudo arrancado a ferros nesta vida.
seja como for, peço-te: faz-lhes umas festinhas macias quando ela estiver a dormir; pelo menos umas boas noites descansadas faziam-lhe bem.
ah, e já agora - se não ficares com a mão cansada, podes fazer-me umas festitas a mim também; eu gosto nas sobrancelhas, assim devagarinho, estás a ver?, ao deleve e devagarinho.
(eu prometo perder quando jogar playstation contigo)
parabéns Michael!
fabuloso.
um dia, se também eu tiver a felicidade de ser pai e tu seres um puto fixolas ou uma miúda linda, metemo-nos ao caminho e vamos lá dar um amasso ao Luke.
que dizes?
03 fevereiro 2006
xiiiiiiii
dói-lhe a barriga e acha que vem aí o 'período', mas depois não vem.
deixou de tomar a pílula há um mês e o 'sistema' anda todo baralhado.
agora não sabe se é o período que aí está a chegar ou se és tu que vens a caminho.
anda nervosa que nem imaginas!!!
eu digo-lhe que não é nada, talvez um ovo mal cozido, um bife mal passado que lhe deu a volta ao estômago ou os planetas que andam meio desalinhados... mas se fores tu por aí a caminho - porque não?
se não fores, vê se falas com ela; diz-lhe uma data, para ela não ficar tão ansiosa.
(esta conversa fica só entre nós, ok!?)
=)
30 janeiro 2006
sorrisos, risos
espero que a vida, essa, por vezes tão estranha e cruel, me possa agraciar com razões suficientes e força suficiente para que cumpra este desejo o maior número de vezes possível, que tu sejas saudável e que eu saudavelmente possa oferecer-te, mais que tudo o resto, alegria.
27 janeiro 2006
Mozart
um compincha, portanto.
estou à espera da confirmação apenas, para logo à noite - à partida vamos jantar eu, ele, o Beethoven e acho que o Haydn também vai.
contamos contigo, filho.
aparece.
(faz por não ires muito 'à fresca'; ah, e leva os CD's de Craddle of filth que o Mozart te emprestou da outra vez)
24 janeiro 2006
W.A.Mozart
estaria um bocado velho se fosse vivo, portanto.
por todo o lado se celebra esta data e a obra do homem.
hoje, na rádio, falava-se do seu talento nato e, sobretudo, de como o seu génio nunca teria florescido como floresceu nem nascido tão rápido se não fosse o pai.
isso tocou-me.
fico entre o inspirado e o receoso.
serei eu capaz de te promover a uma arte, de te motivar e inspirar? para tocares piano, guitarra ou até harpa? de escreveres, de recitares, de sentires mais? de aflorares as delicadezas da comunicação por uma qualquer forma sublime?
ou pelo contrário, poderei fazer asneira e levar-te a fugir a sete pés? a rebelares-te?
ou não farei, simplesmente, nada, deixando-te ao sabor da maré, para andares por aí e seres tu a descobrir, ou não, estas coisas das artes?
a diferença entre educar um filho para a sensibilidade ou para o exibicionismo pode ser tão pequena que até me dão arrepios.
um dia destes, quando puderes, sentamo-nos a falar disto?
20 janeiro 2006
ler
lê, mas com absorção, com deleite, com prazer, com gosto, com as palavras a escorrerem-te pelas goelas e afundando-se no estômago num mergulho refrescante e revitalizante.
sempre que eu puder, eu ler-te-ei; sempre que tu quiseres, eu ler-te-ei.
quem sabe, um dia, até ganhe coragem e te leia algumas das coisas poucas que escrevi.
18 janeiro 2006
10 janeiro 2006
política
09 janeiro 2006
Às vezes a vida é tramada...
19 dezembro 2005
quando fores grande...
16 dezembro 2005
The King
Ainda não fui ver esta versão com ar de lavado e três horas inteirinhas de uma grande história, mas lembra-me de te mostrar o original quanto antes.
Fico a pensar, no entanto, como saber o que é "quanto antes"...
...será que aos 4 anos é uma idade razoável!?
07 dezembro 2005
música
06 dezembro 2005
castanho chocolate
05 dezembro 2005
Ontem
nomes
- Beatriz, Leonor ou Matilde (se fores rapariga)
- Tiago ou Rodrigo (se fores rapaz)
O que é que tinhas em mente?
02 dezembro 2005
30 novembro 2005
Desculpa...
03 novembro 2005
O que nunca deves, nem podes
seja como for, e digam-te o que te disserem, eis o que nunca deves nem podes esquecer, aquilo que provavelmente será mais substancial na tua vida:
-o fio de azeite.
02 novembro 2005
quando crescer(es)
quando cresceres, espero crescer contigo.
talvez isso seja, afinal, o que mais importa.
e o melhor sinal de tudo.
31 outubro 2005
estranhezas...
se adaptar-me à ideia de que posso vir a ter um filho, se adaptar-me à ideia de que posso vir a ser pai.
24 outubro 2005
aprender
por isso, se algum dia eu não estiver ao teu lado para te puxar as orelhas e chamar a atenção ao que importa, lembra-te sempre: move-te pela curiosidade.
não do conhecer, mas do saber.
21 outubro 2005
ler
ler-te as minhas ideias e ler-te os meus devaneios.
ler-te a minha imaginação.
ler-te nem que sejam as gordas dos jornais.
e tu, enquanto não vens, vai lendo aí nas estrelas o que de melhor há nesta vida, para depois quando nasceres, um dia, nos revelares e lembrares a nós, seres humanos carcomidos pelo tempo e pelas paróíces da vida morderna, através da cintilação dos teus sorrisos, o que realmente importa.
20 outubro 2005
tudo é futebol
a primeira dica é esta: vê futebol, observa as tácticas e esquemas de jogo e, sobretudo, os esquemas interpessoais. quase tudo o que se passa no futebol serve para aplicarmos na vida. é maravilhoso porque ainda vai provando como a equipa se suplanta ao poder individual sem, contudo, deixar o talento individual germinar à vontade ao mesmo tempo.
ao longo deste blog e do tempo que virá conto ir escrevendo algumas coisas por aqui sobre esta parecença entre a vida e o futebol. vais ver que até vai ser divertido.
19 outubro 2005
quem sabe, um dia...
não há filho. só perguntas.
virás tu um dia? serás filho? filha? filhos? adoptado? diabinho? perfeitinho? menos perfeito? terrorista? génio? portista ou benfiquista? homossexual? bissexual? hetero? metrosexual?...
as conversas vão despontando, aqui e ali.
já tive até pesadelos com mortes e coisas horríveis!...
cruz-credo-canhoto-bate-na-madeira!!!
avanço para um segundo passo - este blog.
o primeiro já dei.
o primeiro é sempre esse primeiro para tudo: a nossa curiosidade aliada ao nosso desejo, à nossa vontade.
conversas, olhares para as montras com carrinhos técnicos, para os quartos pintados em tom pastel.
poderei pintar o teu, caso venhas, em vermelho-vivo?...
...por enquanto sou eu, só eu, aqui, um pai que fala para um filho por nascer.
se nasceres, um dia destes, um ano destes, a tua mãe vai ser a mãe mais babada do planeta. diria mesmo do universo - nem imaginas! estás com ela desde há vários anos, fazes já parte dela tão naturalmente como cada golfada de oxigénio que ela inspira. já existes. para ela, tu és já o ser mais maravilhoso que existe.
eu, por mim, vou-te aqui falando de vez em quando.
pode ser?