ontem a tua Mãe esteve-me a ensinar como se lê um calendário maternal!
foi muito giro; já aprendi uma data de coisas.
ainda só vamos na fase da concepção, ou seja, tu ainda nem vens a caminho, nós é que te estamos a chamar; há ali uns dias com umas temperaturas muito alteradas e baixas, e depois quando a tua Mãe fica assim com os calores, de um dia para o outro, é aí que os pais devem juntar forças e chamar pelos filhotes a valer. senão, só dali a mais um mês é que podem voltar a tentar.
é realmente um milagre!
um dia, daqui a algum tempo, depois eu explico-te isto.
(mas não digas à Mãe, porque ela fica logo muito corada e muito embaraçada; se ela perguntar do que estávamos a falar, diz não sei quê das cegonhas e das abelhas -- isso convence-as sempre )
24 julho 2006
21 julho 2006
18 julho 2006
dias estranhos
São dias estranhos e soturnos;
o verão estacou, choveu e ventejou;
agora já o sol bate forte de novo, mas ainda está fresco.
um dos teus popós está no médico; soluços no escape; esperemos que não seja nada de grave...
Seja como for, o medo maior vem cá de dentro, não do que se vê aqui fora. É algo que te posso garantir. E é algo com que temos de viver. Há sempre gente que assusta, coisas que destroem e ainda mais coisas feias.
Mas nem sempre é feio o mundo. Aliás, são muito mais frequentes os bons momentos, mas não sei porquê parece que os maus têm uma força que perdura no tempo e ofusca as cores dos tempos bons.
Uma das nossas lutas é, portanto, dia a dia, essa mesmo: lutar contra os maus momentos e contra o espaço que eles ocupam, esvaziando ao máximo a nossa Vida deles para que caibam sempre mais e mais coisas boas, bons momentos, boas memórias, boas histórias.
Por isso, cá te esperamos. Para que te possamos ajudar a encher essa Vida, preenchendo as prateleiras da memória com excelentes ideias, reflexões, passeios e tantos sabores mais. E tu, pelo teu lado, de certeza encherás a nossa vida também.
Sem qualquer esforço.
o verão estacou, choveu e ventejou;
agora já o sol bate forte de novo, mas ainda está fresco.
um dos teus popós está no médico; soluços no escape; esperemos que não seja nada de grave...
Seja como for, o medo maior vem cá de dentro, não do que se vê aqui fora. É algo que te posso garantir. E é algo com que temos de viver. Há sempre gente que assusta, coisas que destroem e ainda mais coisas feias.
Mas nem sempre é feio o mundo. Aliás, são muito mais frequentes os bons momentos, mas não sei porquê parece que os maus têm uma força que perdura no tempo e ofusca as cores dos tempos bons.
Uma das nossas lutas é, portanto, dia a dia, essa mesmo: lutar contra os maus momentos e contra o espaço que eles ocupam, esvaziando ao máximo a nossa Vida deles para que caibam sempre mais e mais coisas boas, bons momentos, boas memórias, boas histórias.
Por isso, cá te esperamos. Para que te possamos ajudar a encher essa Vida, preenchendo as prateleiras da memória com excelentes ideias, reflexões, passeios e tantos sabores mais. E tu, pelo teu lado, de certeza encherás a nossa vida também.
Sem qualquer esforço.
14 julho 2006
Serão Para Ti
oi filhão!
a tua mãe e eu já temos a colecção completa dos livros do Calvin & Hobbes.
São também para ti.
Um dia, eles serão teus e poderás também passar aos teus filhotes.
Têm já os cantos de algumas folhas dobrados, para saberes onde estão as tiras que o 'papai' e a 'mamãe' mais gostam. Podes também dobrar as tuas. De facto, com o tempo, o mais certo é redescobrir outras e mais outras e ficarem todos os cantos dobrados.
Espero que venhas a gostar o Calvin e do Hobbes, para depois nos rirmos muito.
A tua mãe já anda mais alegre, mais sorridente, com a esperança a renascer-lhe pela boca, pelos sorrisos cintilantes e cristalinos; talvez o Verão... talvez o tempo, que não apaga mas distancia os maus momentos e nos ajuda a poder pensar nos que estamos a viver, quem sabe - nos que iremos viver.
És aqui esperado com muito carinho.
Por mim, pela tua mãe, pelo Calvin, pelo Hobbes... e lá em casa pelo Magalhães, pelo Jolyma, pelo piguito, pela Inês, pelo Sr. Incrível, pelo Buzz, pelo Jack, pela Sally, por tantos e tantos mais amigos que de certeza vais fazer.
Menino, menina, tanto faz. Escolhe tu a cor. Não venhas com pressas. Vem quando achares que estás preparado. Mas lembra-te: mesmo que sintas que nunca estás, o pai e a mãe estão aqui para te dar uma ajuda. Por isso, não precisas nunca esperar pelo momento certo. E quase nunca existe. Somos nós que o fazemos, contornamos, decoramos, texturamos.
São tudo palavras difíceis. Mas apenas porque não é fácil passar para elas o nosso apelo.
Até lá, até nos dizeres "estou aqui!", vamos recolhendo experiências para depois te contarmos e passarmos uns óptimos serões.
a tua mãe e eu já temos a colecção completa dos livros do Calvin & Hobbes.
São também para ti.
Um dia, eles serão teus e poderás também passar aos teus filhotes.
Têm já os cantos de algumas folhas dobrados, para saberes onde estão as tiras que o 'papai' e a 'mamãe' mais gostam. Podes também dobrar as tuas. De facto, com o tempo, o mais certo é redescobrir outras e mais outras e ficarem todos os cantos dobrados.
Espero que venhas a gostar o Calvin e do Hobbes, para depois nos rirmos muito.
A tua mãe já anda mais alegre, mais sorridente, com a esperança a renascer-lhe pela boca, pelos sorrisos cintilantes e cristalinos; talvez o Verão... talvez o tempo, que não apaga mas distancia os maus momentos e nos ajuda a poder pensar nos que estamos a viver, quem sabe - nos que iremos viver.
És aqui esperado com muito carinho.
Por mim, pela tua mãe, pelo Calvin, pelo Hobbes... e lá em casa pelo Magalhães, pelo Jolyma, pelo piguito, pela Inês, pelo Sr. Incrível, pelo Buzz, pelo Jack, pela Sally, por tantos e tantos mais amigos que de certeza vais fazer.
Menino, menina, tanto faz. Escolhe tu a cor. Não venhas com pressas. Vem quando achares que estás preparado. Mas lembra-te: mesmo que sintas que nunca estás, o pai e a mãe estão aqui para te dar uma ajuda. Por isso, não precisas nunca esperar pelo momento certo. E quase nunca existe. Somos nós que o fazemos, contornamos, decoramos, texturamos.
São tudo palavras difíceis. Mas apenas porque não é fácil passar para elas o nosso apelo.
Até lá, até nos dizeres "estou aqui!", vamos recolhendo experiências para depois te contarmos e passarmos uns óptimos serões.
12 julho 2006
10 julho 2006
Os valentosos dias
Eu e tua mãe vimos no outro dia um espectacular documentário na 2: sobre o nascimento do ser humano, bebés como tu, portanto. Quer dizer, tu não!, que já és bem grande, desculpa!
Foram relatos de casais, mulheres, homens, pequenos petizes a caminho de terem um irmão ou irmã, médicos e outros tantos. E fica a clara noção, uma vez mais, de que tu és um milagre a caminho do ventre da tua mãe.
Os dias passam com a esperança de que este seja o primeiro mês em que tudo já decorra normalmente. Desde que a tua mãe deixou de tomar a pílula, pela segunda vez, para poder engravidar de ti, sabe agora que voltará a ter a irregularidade no período que tinha há anos atrás. Teremos de estar atentos, portanto, para que te possamos chamar na altura certa e não deixar escapar esses breves instantes pelos quais passas por nós, à espera que te agarremos a mão para te darmos vida.
Os valentosos dias, portanto, são mais estes, como tantos outros, em que enfrentamos a incerteza com a esperança, em que combatemos a angústia com o sonho e a determinação, em que abanamos os medos com esta vontade imensa de te trazer a este mundo.
E de novo, à eterna pergunta que todos nós em adolescentes perguntamos sem bem saber a resposta - - "Porquê? Porquê trazer mais uma criança ao mundo?". A resposta, essa, parece cada vez mais simples e óbvia: porque no fundo, no fundo, é para isso que todos nós cá estamos, ao contrário do que tantas vezes o mundo em redor nos quer fazer acreditar ou desviar.
Foram relatos de casais, mulheres, homens, pequenos petizes a caminho de terem um irmão ou irmã, médicos e outros tantos. E fica a clara noção, uma vez mais, de que tu és um milagre a caminho do ventre da tua mãe.
Os dias passam com a esperança de que este seja o primeiro mês em que tudo já decorra normalmente. Desde que a tua mãe deixou de tomar a pílula, pela segunda vez, para poder engravidar de ti, sabe agora que voltará a ter a irregularidade no período que tinha há anos atrás. Teremos de estar atentos, portanto, para que te possamos chamar na altura certa e não deixar escapar esses breves instantes pelos quais passas por nós, à espera que te agarremos a mão para te darmos vida.
Os valentosos dias, portanto, são mais estes, como tantos outros, em que enfrentamos a incerteza com a esperança, em que combatemos a angústia com o sonho e a determinação, em que abanamos os medos com esta vontade imensa de te trazer a este mundo.
E de novo, à eterna pergunta que todos nós em adolescentes perguntamos sem bem saber a resposta - - "Porquê? Porquê trazer mais uma criança ao mundo?". A resposta, essa, parece cada vez mais simples e óbvia: porque no fundo, no fundo, é para isso que todos nós cá estamos, ao contrário do que tantas vezes o mundo em redor nos quer fazer acreditar ou desviar.
05 julho 2006
...de volta.
três semanas de férias. 24h sobre 24horas com a tua mãe.
há lá coisa melhor no mundo?
passeámos por Barcelona (onde a tua mãe não resistiu a comprar umas coisinhas para ti, na Chicco), passeámos pelo Porto, por Viana, Ponte de Lima, Coimbra.
Em Barcelona a tua mãe teve um susto grande; pensava que estava com o período, mas pelos vistos, pelo que a tua avó disse, o líquido que ela perdeu é normal, fruto da primeira tentativa que não correu bem, no início do ano. Falámos com uma médica, em Coimbra, que assegurou que agora estaria tudo no normal, mas infelizmente há 4 dias atrás a tua mãe teve o período, o que significa que não vens ainda aí... Foi bastante intenso, pelo que a tua mãe e eu achamos que terá sido um aborto espontâneo.
Queremos muito que tenhas a tua oportunidade, de te dar vida, e que sejas um miúdo ou uma rapariga espantosamente espectacular. Temos a certeza que sim. Até lá, continuaremos a aguardar pacientemente e claro, com algum frenesi no estômago.
Hoje a tua mãe vai ver um ginecologista, para saber a opinião sobre o que pode estar a ocorrer.
Tem calma filhote/a. Nós somos mesmo assim, um pouco ansiosos. Tens que ter paciência connosco.
há lá coisa melhor no mundo?
passeámos por Barcelona (onde a tua mãe não resistiu a comprar umas coisinhas para ti, na Chicco), passeámos pelo Porto, por Viana, Ponte de Lima, Coimbra.
Em Barcelona a tua mãe teve um susto grande; pensava que estava com o período, mas pelos vistos, pelo que a tua avó disse, o líquido que ela perdeu é normal, fruto da primeira tentativa que não correu bem, no início do ano. Falámos com uma médica, em Coimbra, que assegurou que agora estaria tudo no normal, mas infelizmente há 4 dias atrás a tua mãe teve o período, o que significa que não vens ainda aí... Foi bastante intenso, pelo que a tua mãe e eu achamos que terá sido um aborto espontâneo.
Queremos muito que tenhas a tua oportunidade, de te dar vida, e que sejas um miúdo ou uma rapariga espantosamente espectacular. Temos a certeza que sim. Até lá, continuaremos a aguardar pacientemente e claro, com algum frenesi no estômago.
Hoje a tua mãe vai ver um ginecologista, para saber a opinião sobre o que pode estar a ocorrer.
Tem calma filhote/a. Nós somos mesmo assim, um pouco ansiosos. Tens que ter paciência connosco.
06 junho 2006
o corpo
a tua mãe hoje teve a prova incontornável de que o corpo dela mudou.
com a nossa primeira tentativa, e apesar de teres ainda decidido aguardar mais um pouco, o facto é que o corpo dela mudou, começou logo a adaptar-se à tua chegada e em apenas dois meses alargou um poucochinho e a barriga dilatou-se ligeiramente.
hoje não conseguiu vestir as calças mais apertadas que tinha.
eu não consegui perceber se ficou triste por não conseguir vestí-las ou porque deixou de as conseguir vestir e afinal tu partiste... Acho que foram as duas coisas. Mas acho também que por um lado ficou contente por ver como o corpo dela iniciou logo uma adaptação à maternidade, à tua chegada. É um corpo lindo, magnífico, esplendoroso, e que tu vais adorar abraçar, beijar, agarrar e amar, tal como aqui o pai faz todos os dias.
também tu terás um corpo maravilhoso.
quem sabe, se serás rapaz ou rapariga, ou ambos.
a verdade é que o tempo passa, o nosso corpo cresce, transforma-se, range, estica, e segue connosco p'ra todo o lado.
por ora, os dias prosseguem e vamo-nos preparando para a tua chegada. não sabemos se já estarás pronto, mas desejamos-te imenso. queremos que venhas com vontade, com muita energia e imensa alegria; que seja porque também tu o desejas e porque ambicionas a Vida e toda a magnífica experiência.
resta-nos deixar passar mais algum tempo e ter esperança que um dia estaremos também nós a agarrar o teu corpo pequenino, a sorrir ao teu choro recém-nascido e a ensinar-te as primeiras palavras.
( não digas nada à tua mãe, mas eu acho que as primeiras palavras que tu devias aprender e que eu te vou ensinar são: malandrice, cerveja, férias, machu pichu e rock and roll; também acho que em vez de dizeres uma única palavra, a primeira vez que falasses podias logo dizer uma frase inteira, tipo "ó mãe, eu quero que tu compres um relógio novo ao pai com o dinheiro que vocês andaram a poupar para mim" - repara que na mesma frase dirias "pai" e "mãe", não deixando ninguém chateado! o que achas!? )
com a nossa primeira tentativa, e apesar de teres ainda decidido aguardar mais um pouco, o facto é que o corpo dela mudou, começou logo a adaptar-se à tua chegada e em apenas dois meses alargou um poucochinho e a barriga dilatou-se ligeiramente.
hoje não conseguiu vestir as calças mais apertadas que tinha.
eu não consegui perceber se ficou triste por não conseguir vestí-las ou porque deixou de as conseguir vestir e afinal tu partiste... Acho que foram as duas coisas. Mas acho também que por um lado ficou contente por ver como o corpo dela iniciou logo uma adaptação à maternidade, à tua chegada. É um corpo lindo, magnífico, esplendoroso, e que tu vais adorar abraçar, beijar, agarrar e amar, tal como aqui o pai faz todos os dias.
também tu terás um corpo maravilhoso.
quem sabe, se serás rapaz ou rapariga, ou ambos.
a verdade é que o tempo passa, o nosso corpo cresce, transforma-se, range, estica, e segue connosco p'ra todo o lado.
por ora, os dias prosseguem e vamo-nos preparando para a tua chegada. não sabemos se já estarás pronto, mas desejamos-te imenso. queremos que venhas com vontade, com muita energia e imensa alegria; que seja porque também tu o desejas e porque ambicionas a Vida e toda a magnífica experiência.
resta-nos deixar passar mais algum tempo e ter esperança que um dia estaremos também nós a agarrar o teu corpo pequenino, a sorrir ao teu choro recém-nascido e a ensinar-te as primeiras palavras.
( não digas nada à tua mãe, mas eu acho que as primeiras palavras que tu devias aprender e que eu te vou ensinar são: malandrice, cerveja, férias, machu pichu e rock and roll; também acho que em vez de dizeres uma única palavra, a primeira vez que falasses podias logo dizer uma frase inteira, tipo "ó mãe, eu quero que tu compres um relógio novo ao pai com o dinheiro que vocês andaram a poupar para mim" - repara que na mesma frase dirias "pai" e "mãe", não deixando ninguém chateado! o que achas!? )
29 maio 2006
Vamos ao Jazz?
fomos este fim-de-semana buscar o teu novo popó!
um Honda Jazz que eu e a tua mãezoca compramos em segunda mão em impecabilíssimo estado.
queríamos uma carrinha, mas infelizmente o pai e a mãe ainda não te vão poder dar uma tão cedo, por isso, temos um super carro todo janota e espaçoso e com ar condicionado, para que não sofras muito em dias de calor como os que têm estado.
na viagem de regresso a tua mãe trouxe o carro, um bocadinho nervosa e excitada. Vimos pelo tecto de abrir uma cegonha e pensámos em ti...
será desta?
um Honda Jazz que eu e a tua mãezoca compramos em segunda mão em impecabilíssimo estado.
queríamos uma carrinha, mas infelizmente o pai e a mãe ainda não te vão poder dar uma tão cedo, por isso, temos um super carro todo janota e espaçoso e com ar condicionado, para que não sofras muito em dias de calor como os que têm estado.
na viagem de regresso a tua mãe trouxe o carro, um bocadinho nervosa e excitada. Vimos pelo tecto de abrir uma cegonha e pensámos em ti...
será desta?
19 maio 2006
as palavras
sabes que tenho pensado bastante nas palavras.
estudei-as na escola, estudei-as na faculdade; e reflicto nelas novamente, volta e meia.
creio que a natureza nos faz um grande favor, e tu vais vivê-lo, quando nasceres - - - ficamos algum tempo sem saber falar. só a escutar e observar. e deveríamos todos, ao longo da nossa vida, manter esse ensinamento.
sempre que puderes, observa com atenção as pessoas em teu redor. vais reparar como a grande maioria não controla as palavras. sabes, o ser humano, todos nós, somos essencialmente seres que vivem à base de impulsos, pulsões, ímpetos. depois, vais conhecer muitos que vivem ainda mais assim. outros menos.
mas no geral, verás como quase todos julgam que falam uma coisa, quando tantas vezes falam outra... por vezes até dizem coisas mesmo sem ter dito nada. mas se lhes perguntares, dirão que não, que sabem exactamente o que dizem e o que querem dizer.
eu sei que isto é ainda muito complicado para estares a ler e perceber, como és tão pequenino e nem estás ainda a caminho; mas um dia vais perceber e, quando o perceberes, não vale de muito tentares explicá-lo a muita gente, porque a maioria ou não quer compreender, ou não compreende mesmo.
é uma tarefa ingrata, isto de se saber e não ser possível explicar de forma simples uma coisa tão difícil.
seja como for, quero com isto tudo apenas que saibas que se um dia eu trocar as palavras ou com o silêncio te parecer triste, ou chateado, ou alheio, ou macambúzio, quero que feches os olhos e te recordes sempre: eu amo-te muito.
quanto aos outros, só poderás mesmo ter muita paciência.
nalguns casos, verás, o melhor é desistir; noutros poderás depositar mais fé.
mas isso, como te digo, logo verás, quando chegares, quando abrires os olhos e sorveres tudo o que o mundo nos oferece de bom, de mau, de infinitamente maravilhoso.
lembra-te apenas que maior conhecimento da vida e do Homem nem sempre significa vida mais simples; por vezes, com maior conhecimento surgem ainda maiores dúvidas. mas diso falamos noutro dia.
entretanto, aqui o pai vai à net ver mais uma vez a bicicleta que comprou ontem com o padrinho.
estudei-as na escola, estudei-as na faculdade; e reflicto nelas novamente, volta e meia.
creio que a natureza nos faz um grande favor, e tu vais vivê-lo, quando nasceres - - - ficamos algum tempo sem saber falar. só a escutar e observar. e deveríamos todos, ao longo da nossa vida, manter esse ensinamento.
sempre que puderes, observa com atenção as pessoas em teu redor. vais reparar como a grande maioria não controla as palavras. sabes, o ser humano, todos nós, somos essencialmente seres que vivem à base de impulsos, pulsões, ímpetos. depois, vais conhecer muitos que vivem ainda mais assim. outros menos.
mas no geral, verás como quase todos julgam que falam uma coisa, quando tantas vezes falam outra... por vezes até dizem coisas mesmo sem ter dito nada. mas se lhes perguntares, dirão que não, que sabem exactamente o que dizem e o que querem dizer.
eu sei que isto é ainda muito complicado para estares a ler e perceber, como és tão pequenino e nem estás ainda a caminho; mas um dia vais perceber e, quando o perceberes, não vale de muito tentares explicá-lo a muita gente, porque a maioria ou não quer compreender, ou não compreende mesmo.
é uma tarefa ingrata, isto de se saber e não ser possível explicar de forma simples uma coisa tão difícil.
seja como for, quero com isto tudo apenas que saibas que se um dia eu trocar as palavras ou com o silêncio te parecer triste, ou chateado, ou alheio, ou macambúzio, quero que feches os olhos e te recordes sempre: eu amo-te muito.
quanto aos outros, só poderás mesmo ter muita paciência.
nalguns casos, verás, o melhor é desistir; noutros poderás depositar mais fé.
mas isso, como te digo, logo verás, quando chegares, quando abrires os olhos e sorveres tudo o que o mundo nos oferece de bom, de mau, de infinitamente maravilhoso.
lembra-te apenas que maior conhecimento da vida e do Homem nem sempre significa vida mais simples; por vezes, com maior conhecimento surgem ainda maiores dúvidas. mas diso falamos noutro dia.
entretanto, aqui o pai vai à net ver mais uma vez a bicicleta que comprou ontem com o padrinho.
11 maio 2006
a contar os dias
vão-se passando os minutos e as horas, ao fim de algum tempo notamos que já lá vão alguns dias; a tua mãe e eu deixamos com esse tempo, lá mais para trás, os pesadelos; vamos então tentando, pelo meio de 9 horas de trabalho e part-times e cursos fora de horas, afogar as lembranças - perder esse mesmo tempo para que sem tempo nos possamos apenas dedicar ao instante presente.
surges-nos no horizonte, agora, do futuro.
vamos já pensando no que tentaremos e não no que tentámos.
o tempo, esse, continua a passar os dedos sobre os nossos cabelos.
vamos relaxando e deixando que mais um minuto passe, uma hora, um dia, e daqui a nada, três meses, e depois - tu.
surges-nos no horizonte, agora, do futuro.
vamos já pensando no que tentaremos e não no que tentámos.
o tempo, esse, continua a passar os dedos sobre os nossos cabelos.
vamos relaxando e deixando que mais um minuto passe, uma hora, um dia, e daqui a nada, três meses, e depois - tu.
08 maio 2006
Fuga à normalidade
em vez do que a grande maioria invoca, diz, admite, sonha ou procura, foge ainda mais à realidade e tenta sempre ir um passo mais além; somos homens, devemos fazer jus à nossa natureza, não nos limitarmos mas igualmente não sermos loucos ao ponto de atropelar uns e outros.
ainda assim, sempre que possas, não digas "Quem me dera ser onda e chegar à minha praia".
procura mais e mais longe; rebenta com os horizontes e dá aquele passinho mais acima, mais além:
"Quem me dera ser praia e chegar à minha onda"
ainda assim, sempre que possas, não digas "Quem me dera ser onda e chegar à minha praia".
procura mais e mais longe; rebenta com os horizontes e dá aquele passinho mais acima, mais além:
"Quem me dera ser praia e chegar à minha onda"
03 maio 2006
lemas para a vida
Lembra-te sempre:
pior do que não fazer um bom negócio é fazer um mau negócio.
(e pior do que tudo isto é comer torradas frias)
pior do que não fazer um bom negócio é fazer um mau negócio.
(e pior do que tudo isto é comer torradas frias)
28 abril 2006
foi ontem
Ontem fomos a causa do teu padrinho e como estávamos à vontade e tínhamos net mostrei à tua mãe esta nossa converseta que temos andado a manter longe dos olhares e ouvidos dos demais.
Depois falas com ela.
Acho que gostou muito. diz que eu sou um chato de primeira, mas que tu, obviamente, és um espectáculo de filho. Que se há-de fazer... Ela é toda babada por ti. Não ligues. As mulheres são mesmo assim. Lamechas. Temos que agarrá-las muito. Nós, homens, é que não, pois não filho!
Quer dizer...
Agora que penso nisto e como tu ainda não nasceste, reflicto e reparo que posso estar a falar não com o meu filho mas com a minha... filha.
Olá filhotaaaaaa!!!
Como estás!
Tudo bem?
Ehr....... o pai tem que ir ali enfiar a cabeça na areia e comer relva, mas já volta, está bem!?
Beijinhos enormes!
Eu já volto.
Depois falas com ela.
Acho que gostou muito. diz que eu sou um chato de primeira, mas que tu, obviamente, és um espectáculo de filho. Que se há-de fazer... Ela é toda babada por ti. Não ligues. As mulheres são mesmo assim. Lamechas. Temos que agarrá-las muito. Nós, homens, é que não, pois não filho!
Quer dizer...
Agora que penso nisto e como tu ainda não nasceste, reflicto e reparo que posso estar a falar não com o meu filho mas com a minha... filha.
Olá filhotaaaaaa!!!
Como estás!
Tudo bem?
Ehr....... o pai tem que ir ali enfiar a cabeça na areia e comer relva, mas já volta, está bem!?
Beijinhos enormes!
Eu já volto.
26 abril 2006
LIBERDADE
amarmos a vida sem ressentimentos.
expressarmo-nos com a força de um beijo.
irmos sem grilhões com a nossa vontade até onde começa a liberdade do próximo.
caminhar dentro e fora do risco.
se algum dia eu o esquecer, lembra-me de todos os dias regar essa árvore que se chama liberdade e nunca tomá-la por cuidada.
expressarmo-nos com a força de um beijo.
irmos sem grilhões com a nossa vontade até onde começa a liberdade do próximo.
caminhar dentro e fora do risco.
se algum dia eu o esquecer, lembra-me de todos os dias regar essa árvore que se chama liberdade e nunca tomá-la por cuidada.
o bom tempo
Os últimos dias têm sido assim: cheios de sol e com uma brisa fria ao final da tarde a enregelar os mais desatentos.
Também assim comigo e a tua mãe.
Os corações vão voltando a aquecer-se, mas há ainda momentos de gelo, quando reencontramos algo teu, algo que tínhamos feito para ti, comprado para ti, aquelas fotos tiradas aqui e acolá a apontarmos para a barriga, os sorrisos de um dia em que falámos sobre ideias, sonhos e receios...
Fomos sempre colocando a hipótese de as coisas poderem não correr pelo melhor num simples "bate na madeira". Quase nunca queremos pensar nisso, ouvir isso. E no entanto...
Já passou pouco mais de um mês, e neste momento tudo vai alternando entre dias que parecem não estar longe o suficiente para esquecer e outros em que parecemos já quase conseguir agarrar no futuro e na esperança de que tudo corra pelo melhor da próxima vez.
Para já, é quarta-feira. Mais um dia em que eu e a tua mãe não deixamos de pensar em ti. Mais um e outro dia a restabelecer forças e ânimo e a desejar com muita força que da próxima todos nós, os três, possamos dar as mãos e agarrar-te à Vida para não mais largá-la.
Também assim comigo e a tua mãe.
Os corações vão voltando a aquecer-se, mas há ainda momentos de gelo, quando reencontramos algo teu, algo que tínhamos feito para ti, comprado para ti, aquelas fotos tiradas aqui e acolá a apontarmos para a barriga, os sorrisos de um dia em que falámos sobre ideias, sonhos e receios...
Fomos sempre colocando a hipótese de as coisas poderem não correr pelo melhor num simples "bate na madeira". Quase nunca queremos pensar nisso, ouvir isso. E no entanto...
Já passou pouco mais de um mês, e neste momento tudo vai alternando entre dias que parecem não estar longe o suficiente para esquecer e outros em que parecemos já quase conseguir agarrar no futuro e na esperança de que tudo corra pelo melhor da próxima vez.
Para já, é quarta-feira. Mais um dia em que eu e a tua mãe não deixamos de pensar em ti. Mais um e outro dia a restabelecer forças e ânimo e a desejar com muita força que da próxima todos nós, os três, possamos dar as mãos e agarrar-te à Vida para não mais largá-la.
fotografias
espero que venhas a gostar delas, do deleite de recordar os instantes gravados, da magia dos sorrisos e olhares, de captar e guardar em álbuns rechonchudos pequenas colectâneas de gente conhecida, próxima, menos próxima, incomum, estranha e até e apenas pedaços ampliados de tecido, fruta, solo, pele...
24 abril 2006
passo a passo
ainda tu vens a caminho apenas no nosso desejo e vontade e somos nós, afinal, que recuperamos do tombo e vamos dando os primeiros pequenos passos.
este fim-de-semana fomos, de novo, entrando numa e noutra loja, vimos alguns brinquedos, os carrinhos de bebé, esta e aquela promoção, um edredon e mais um isto e um aquilo.
desta vez, contudo, o ânimo foi contido, o receio a meias em todo o lado, a discrição sempre presente, o refrear dos sonhos lado a lado bem como a consciencialização de que o nascimento de uma criança é tantas vezes algo tão natural e 'normal' como igulamente raro e único, fantástico e maravilhosamente especial.
no sábado fomos conhecer um amigo teu; chama-se Vicente. é o filhote do Sérgio e da Fátima e é um baril. Estivemos com ele duas horitas e portou-se lindamente. Tem 1 mês e eu não quero mentir, mas acho que ele me estava a dizer como era injusto não terem todas as casas um pátio, para se poderem fazer churrascos no Verão e termos todos um animal de estimação. Tal e qual.
(eu não disse isto a ninguém; a conversa ficou só entre nós...)
este fim-de-semana fomos, de novo, entrando numa e noutra loja, vimos alguns brinquedos, os carrinhos de bebé, esta e aquela promoção, um edredon e mais um isto e um aquilo.
desta vez, contudo, o ânimo foi contido, o receio a meias em todo o lado, a discrição sempre presente, o refrear dos sonhos lado a lado bem como a consciencialização de que o nascimento de uma criança é tantas vezes algo tão natural e 'normal' como igulamente raro e único, fantástico e maravilhosamente especial.
no sábado fomos conhecer um amigo teu; chama-se Vicente. é o filhote do Sérgio e da Fátima e é um baril. Estivemos com ele duas horitas e portou-se lindamente. Tem 1 mês e eu não quero mentir, mas acho que ele me estava a dizer como era injusto não terem todas as casas um pátio, para se poderem fazer churrascos no Verão e termos todos um animal de estimação. Tal e qual.
(eu não disse isto a ninguém; a conversa ficou só entre nós...)
21 abril 2006
Amo-te
Ainda não disse à tua mãe que ando a escrever estas cartas contigo.
Queria-lhe fazer uma surpresa, quando tivesses três meses.
Estivemos tão perto. Tu e eu. Mais algumas semanas e terias três meses e eu diria "olha o que eu e o Diogo andámos a fazer para ti!".
Ainda não disse. Depois de partires e de voltarmos ao nosso silêncio a dois, lembrando-te, fiquei ainda com mais receio de lhe mostrar coisas "que poderiam ter sido e não foram".
Mas porquê? Não vale a pena. A verdade, a vida, o real, o que aconteceu não muda nem passa.
Mas também tu não passas. Estás aqui. Connosco. Adoramos-te. Mesmo que apenas de longe, a brilhar no céu, à noite, distante mas tão perto.
Este post que aqui vem é o primeiro da tua mãe.
Ela ainda não sabe, vou-lhe mostrar hoje.
Aqui segue a carta mais maravilhosa, o texto mais apaixonante que a tua mãe escreveu para ti, para nós.
Para que saibas que te amamos e sentimos muito, muito, muito, tanto a tua falta:
Não sei o que dizer, as palavras ficam presas na minha garganta, recusam-se a sair. Tenho-me sentido tão triste, tão sozinha, tão vazia. Passo os dias a imitar felicidade e alegria. Passo os dias a fingir que está tudo bem, que sou capaz de ultrapassar isto. Mas quando chego a casa, e fico sozinha, não consigo mais fingir. Cada vez que fecho a porta atrás de mim, o vazio instala-se. O silêncio tortura-me. Cada vez que entro, sonho ouvir o teu riso, a tua voz. Cada vez que chego a casa, sonho ouvir "mãe, chegaste!", e isso dói tanto, tanto.
Eu sei que o tempo não volta atrás. Eu sei que nada poderia ter sido feito. Eu sei que te perdi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei que estas lágrimas vão continuar a cair por ti. Eu sei que a minha dor um dia vai diminuir. Eu sei, eu sei, eu sei... Mas custa tanto sentir a injustiça de tudo o que aconteceu. Tu merecias ter vivido, tu merecias ter tido uma oportunidade. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim, preciso que me perdoes por não ter sido capaz de proteger e salvar.
Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo que isto não passe. Tenho medo de não conseguir ser forte. Porque tudo agora é tão assustador. Sempre controlei tudo na minha vida, percebes? E de repente, vejo-me aqui. Frágil, vulnerável e fraca. As lágrimas surgem do nada e são cada vez mais difíceis de esconder. Penso em ti e a saudade é tanta, tanta. Penso no que poderia ter sido. Penso em tudo o que faríamos juntos. Penso, penso e penso...
Reparaste? Já passou 1 mês. Nunca imaginei que alguma vez eu pudesse sentir tamanho desgosto. Perdi-te, filho, perdi-te. E dói não ter resposta aos meus porquês. Porque teve de ser assim? Porque tive de perder o meu maior sonho? Porque tem de ser tão difícil? Porque tenho de me lembrar de ti todos os dias? Porquê? Porquê?
Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Desculpa mas não compreendo que sejas mais importante noutro lado, do que aqui connosco. Parece que estavas destinado a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei…
Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre o nosso primeiro menino. Amo-te.
Queria-lhe fazer uma surpresa, quando tivesses três meses.
Estivemos tão perto. Tu e eu. Mais algumas semanas e terias três meses e eu diria "olha o que eu e o Diogo andámos a fazer para ti!".
Ainda não disse. Depois de partires e de voltarmos ao nosso silêncio a dois, lembrando-te, fiquei ainda com mais receio de lhe mostrar coisas "que poderiam ter sido e não foram".
Mas porquê? Não vale a pena. A verdade, a vida, o real, o que aconteceu não muda nem passa.
Mas também tu não passas. Estás aqui. Connosco. Adoramos-te. Mesmo que apenas de longe, a brilhar no céu, à noite, distante mas tão perto.
Este post que aqui vem é o primeiro da tua mãe.
Ela ainda não sabe, vou-lhe mostrar hoje.
Aqui segue a carta mais maravilhosa, o texto mais apaixonante que a tua mãe escreveu para ti, para nós.
Para que saibas que te amamos e sentimos muito, muito, muito, tanto a tua falta:
Não sei o que dizer, as palavras ficam presas na minha garganta, recusam-se a sair. Tenho-me sentido tão triste, tão sozinha, tão vazia. Passo os dias a imitar felicidade e alegria. Passo os dias a fingir que está tudo bem, que sou capaz de ultrapassar isto. Mas quando chego a casa, e fico sozinha, não consigo mais fingir. Cada vez que fecho a porta atrás de mim, o vazio instala-se. O silêncio tortura-me. Cada vez que entro, sonho ouvir o teu riso, a tua voz. Cada vez que chego a casa, sonho ouvir "mãe, chegaste!", e isso dói tanto, tanto.
Eu sei que o tempo não volta atrás. Eu sei que nada poderia ter sido feito. Eu sei que te perdi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei que estas lágrimas vão continuar a cair por ti. Eu sei que a minha dor um dia vai diminuir. Eu sei, eu sei, eu sei... Mas custa tanto sentir a injustiça de tudo o que aconteceu. Tu merecias ter vivido, tu merecias ter tido uma oportunidade. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim, preciso que me perdoes por não ter sido capaz de proteger e salvar.
Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo que isto não passe. Tenho medo de não conseguir ser forte. Porque tudo agora é tão assustador. Sempre controlei tudo na minha vida, percebes? E de repente, vejo-me aqui. Frágil, vulnerável e fraca. As lágrimas surgem do nada e são cada vez mais difíceis de esconder. Penso em ti e a saudade é tanta, tanta. Penso no que poderia ter sido. Penso em tudo o que faríamos juntos. Penso, penso e penso...
Reparaste? Já passou 1 mês. Nunca imaginei que alguma vez eu pudesse sentir tamanho desgosto. Perdi-te, filho, perdi-te. E dói não ter resposta aos meus porquês. Porque teve de ser assim? Porque tive de perder o meu maior sonho? Porque tem de ser tão difícil? Porque tenho de me lembrar de ti todos os dias? Porquê? Porquê?
Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Desculpa mas não compreendo que sejas mais importante noutro lado, do que aqui connosco. Parece que estavas destinado a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei…
Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre o nosso primeiro menino. Amo-te.
20 abril 2006
um mês
Há um mês atrás, a tristeza, a desilusão, a terrível verdade de que não estavas presente deixou-nos, a mim e à tua mãe, de rastos. Hoje a vida recuperou um pouco do seu ânimo, mas o tempo frio, ventoso e chuvoso que se tem feito sentir não deixa de estar em concordância connosco. Aqui e ali, algures uma hora e pouco mais, vão surgindo algumas 'abertas'. Tiramos os casacos, suamos um pouco, mas logo depois vem um vento frio, uma 'morrinha', um aconchegar do edredon.
Já lá vai um mês.
Vai-nos aguantando o permanente diálogo contigo e a esperança de na próxima tentativa podermos sorrir sem sobressaltos até ao fim...
Já lá vai um mês.
Vai-nos aguantando o permanente diálogo contigo e a esperança de na próxima tentativa podermos sorrir sem sobressaltos até ao fim...
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