29 maio 2006

Vamos ao Jazz?

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fomos este fim-de-semana buscar o teu novo popó!
um Honda Jazz que eu e a tua mãezoca compramos em segunda mão em impecabilíssimo estado.
queríamos uma carrinha, mas infelizmente o pai e a mãe ainda não te vão poder dar uma tão cedo, por isso, temos um super carro todo janota e espaçoso e com ar condicionado, para que não sofras muito em dias de calor como os que têm estado.

na viagem de regresso a tua mãe trouxe o carro, um bocadinho nervosa e excitada. Vimos pelo tecto de abrir uma cegonha e pensámos em ti...

será desta?

19 maio 2006

as palavras

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sabes que tenho pensado bastante nas palavras.
estudei-as na escola, estudei-as na faculdade; e reflicto nelas novamente, volta e meia.

creio que a natureza nos faz um grande favor, e tu vais vivê-lo, quando nasceres - - - ficamos algum tempo sem saber falar. só a escutar e observar. e deveríamos todos, ao longo da nossa vida, manter esse ensinamento.

sempre que puderes, observa com atenção as pessoas em teu redor. vais reparar como a grande maioria não controla as palavras. sabes, o ser humano, todos nós, somos essencialmente seres que vivem à base de impulsos, pulsões, ímpetos. depois, vais conhecer muitos que vivem ainda mais assim. outros menos.

mas no geral, verás como quase todos julgam que falam uma coisa, quando tantas vezes falam outra... por vezes até dizem coisas mesmo sem ter dito nada. mas se lhes perguntares, dirão que não, que sabem exactamente o que dizem e o que querem dizer.

eu sei que isto é ainda muito complicado para estares a ler e perceber, como és tão pequenino e nem estás ainda a caminho; mas um dia vais perceber e, quando o perceberes, não vale de muito tentares explicá-lo a muita gente, porque a maioria ou não quer compreender, ou não compreende mesmo.

é uma tarefa ingrata, isto de se saber e não ser possível explicar de forma simples uma coisa tão difícil.

seja como for, quero com isto tudo apenas que saibas que se um dia eu trocar as palavras ou com o silêncio te parecer triste, ou chateado, ou alheio, ou macambúzio, quero que feches os olhos e te recordes sempre: eu amo-te muito.

quanto aos outros, só poderás mesmo ter muita paciência.
nalguns casos, verás, o melhor é desistir; noutros poderás depositar mais fé.
mas isso, como te digo, logo verás, quando chegares, quando abrires os olhos e sorveres tudo o que o mundo nos oferece de bom, de mau, de infinitamente maravilhoso.
lembra-te apenas que maior conhecimento da vida e do Homem nem sempre significa vida mais simples; por vezes, com maior conhecimento surgem ainda maiores dúvidas. mas diso falamos noutro dia.


entretanto, aqui o pai vai à net ver mais uma vez a bicicleta que comprou ontem com o padrinho.

11 maio 2006

a contar os dias

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vão-se passando os minutos e as horas, ao fim de algum tempo notamos que já lá vão alguns dias; a tua mãe e eu deixamos com esse tempo, lá mais para trás, os pesadelos; vamos então tentando, pelo meio de 9 horas de trabalho e part-times e cursos fora de horas, afogar as lembranças - perder esse mesmo tempo para que sem tempo nos possamos apenas dedicar ao instante presente.

surges-nos no horizonte, agora, do futuro.
vamos já pensando no que tentaremos e não no que tentámos.

o tempo, esse, continua a passar os dedos sobre os nossos cabelos.
vamos relaxando e deixando que mais um minuto passe, uma hora, um dia, e daqui a nada, três meses, e depois - tu.

08 maio 2006

Fuga à normalidade

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em vez do que a grande maioria invoca, diz, admite, sonha ou procura, foge ainda mais à realidade e tenta sempre ir um passo mais além; somos homens, devemos fazer jus à nossa natureza, não nos limitarmos mas igualmente não sermos loucos ao ponto de atropelar uns e outros.

ainda assim, sempre que possas, não digas "Quem me dera ser onda e chegar à minha praia".

procura mais e mais longe; rebenta com os horizontes e dá aquele passinho mais acima, mais além:
"Quem me dera ser praia e chegar à minha onda"

03 maio 2006

lemas para a vida

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Lembra-te sempre:
pior do que não fazer um bom negócio é fazer um mau negócio.


(e pior do que tudo isto é comer torradas frias)

28 abril 2006

foi ontem

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Ontem fomos a causa do teu padrinho e como estávamos à vontade e tínhamos net mostrei à tua mãe esta nossa converseta que temos andado a manter longe dos olhares e ouvidos dos demais.

Depois falas com ela.
Acho que gostou muito. diz que eu sou um chato de primeira, mas que tu, obviamente, és um espectáculo de filho. Que se há-de fazer... Ela é toda babada por ti. Não ligues. As mulheres são mesmo assim. Lamechas. Temos que agarrá-las muito. Nós, homens, é que não, pois não filho!

Quer dizer...
Agora que penso nisto e como tu ainda não nasceste, reflicto e reparo que posso estar a falar não com o meu filho mas com a minha... filha.

Olá filhotaaaaaa!!!
Como estás!
Tudo bem?
Ehr....... o pai tem que ir ali enfiar a cabeça na areia e comer relva, mas já volta, está bem!?
Beijinhos enormes!
Eu já volto.

26 abril 2006

LIBERDADE

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amarmos a vida sem ressentimentos.
expressarmo-nos com a força de um beijo.
irmos sem grilhões com a nossa vontade até onde começa a liberdade do próximo.
caminhar dentro e fora do risco.

se algum dia eu o esquecer, lembra-me de todos os dias regar essa árvore que se chama liberdade e nunca tomá-la por cuidada.

o bom tempo

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Os últimos dias têm sido assim: cheios de sol e com uma brisa fria ao final da tarde a enregelar os mais desatentos.
Também assim comigo e a tua mãe.

Os corações vão voltando a aquecer-se, mas há ainda momentos de gelo, quando reencontramos algo teu, algo que tínhamos feito para ti, comprado para ti, aquelas fotos tiradas aqui e acolá a apontarmos para a barriga, os sorrisos de um dia em que falámos sobre ideias, sonhos e receios...

Fomos sempre colocando a hipótese de as coisas poderem não correr pelo melhor num simples "bate na madeira". Quase nunca queremos pensar nisso, ouvir isso. E no entanto...

Já passou pouco mais de um mês, e neste momento tudo vai alternando entre dias que parecem não estar longe o suficiente para esquecer e outros em que parecemos já quase conseguir agarrar no futuro e na esperança de que tudo corra pelo melhor da próxima vez.

Para já, é quarta-feira. Mais um dia em que eu e a tua mãe não deixamos de pensar em ti. Mais um e outro dia a restabelecer forças e ânimo e a desejar com muita força que da próxima todos nós, os três, possamos dar as mãos e agarrar-te à Vida para não mais largá-la.

fotografias

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espero que venhas a gostar delas, do deleite de recordar os instantes gravados, da magia dos sorrisos e olhares, de captar e guardar em álbuns rechonchudos pequenas colectâneas de gente conhecida, próxima, menos próxima, incomum, estranha e até e apenas pedaços ampliados de tecido, fruta, solo, pele...

24 abril 2006

passo a passo

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ainda tu vens a caminho apenas no nosso desejo e vontade e somos nós, afinal, que recuperamos do tombo e vamos dando os primeiros pequenos passos.

este fim-de-semana fomos, de novo, entrando numa e noutra loja, vimos alguns brinquedos, os carrinhos de bebé, esta e aquela promoção, um edredon e mais um isto e um aquilo.

desta vez, contudo, o ânimo foi contido, o receio a meias em todo o lado, a discrição sempre presente, o refrear dos sonhos lado a lado bem como a consciencialização de que o nascimento de uma criança é tantas vezes algo tão natural e 'normal' como igulamente raro e único, fantástico e maravilhosamente especial.

no sábado fomos conhecer um amigo teu; chama-se Vicente. é o filhote do Sérgio e da Fátima e é um baril. Estivemos com ele duas horitas e portou-se lindamente. Tem 1 mês e eu não quero mentir, mas acho que ele me estava a dizer como era injusto não terem todas as casas um pátio, para se poderem fazer churrascos no Verão e termos todos um animal de estimação. Tal e qual.
(eu não disse isto a ninguém; a conversa ficou só entre nós...)

21 abril 2006

Amo-te

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Ainda não disse à tua mãe que ando a escrever estas cartas contigo.
Queria-lhe fazer uma surpresa, quando tivesses três meses.
Estivemos tão perto. Tu e eu. Mais algumas semanas e terias três meses e eu diria "olha o que eu e o Diogo andámos a fazer para ti!".
Ainda não disse. Depois de partires e de voltarmos ao nosso silêncio a dois, lembrando-te, fiquei ainda com mais receio de lhe mostrar coisas "que poderiam ter sido e não foram".
Mas porquê? Não vale a pena. A verdade, a vida, o real, o que aconteceu não muda nem passa.
Mas também tu não passas. Estás aqui. Connosco. Adoramos-te. Mesmo que apenas de longe, a brilhar no céu, à noite, distante mas tão perto.

Este post que aqui vem é o primeiro da tua mãe.
Ela ainda não sabe, vou-lhe mostrar hoje.
Aqui segue a carta mais maravilhosa, o texto mais apaixonante que a tua mãe escreveu para ti, para nós.

Para que saibas que te amamos e sentimos muito, muito, muito, tanto a tua falta:



Não sei o que dizer, as palavras ficam presas na minha garganta, recusam-se a sair. Tenho-me sentido tão triste, tão sozinha, tão vazia. Passo os dias a imitar felicidade e alegria. Passo os dias a fingir que está tudo bem, que sou capaz de ultrapassar isto. Mas quando chego a casa, e fico sozinha, não consigo mais fingir. Cada vez que fecho a porta atrás de mim, o vazio instala-se. O silêncio tortura-me. Cada vez que entro, sonho ouvir o teu riso, a tua voz. Cada vez que chego a casa, sonho ouvir "mãe, chegaste!", e isso dói tanto, tanto.

Eu sei que o tempo não volta atrás. Eu sei que nada poderia ter sido feito. Eu sei que te perdi. Eu sei que não vais voltar. Eu sei que estas lágrimas vão continuar a cair por ti. Eu sei que a minha dor um dia vai diminuir. Eu sei, eu sei, eu sei... Mas custa tanto sentir a injustiça de tudo o que aconteceu. Tu merecias ter vivido, tu merecias ter tido uma oportunidade. Eu sei que a culpa não foi minha, mas mesmo assim, preciso que me perdoes por não ter sido capaz de proteger e salvar.

Eu tenho medo, muito medo. Tenho medo que isto não passe. Tenho medo de não conseguir ser forte. Porque tudo agora é tão assustador. Sempre controlei tudo na minha vida, percebes? E de repente, vejo-me aqui. Frágil, vulnerável e fraca. As lágrimas surgem do nada e são cada vez mais difíceis de esconder. Penso em ti e a saudade é tanta, tanta. Penso no que poderia ter sido. Penso em tudo o que faríamos juntos. Penso, penso e penso...

Reparaste? Já passou 1 mês. Nunca imaginei que alguma vez eu pudesse sentir tamanho desgosto. Perdi-te, filho, perdi-te. E dói não ter resposta aos meus porquês. Porque teve de ser assim? Porque tive de perder o meu maior sonho? Porque tem de ser tão difícil? Porque tenho de me lembrar de ti todos os dias? Porquê? Porquê?

Vieste até mim, em silêncio. Vieste e estiveste aqui comigo, dentro mim. Valeu a pena cada segundo que te senti, mesmo que isso tenha significado a tua partida. A dor, o medo, a tristeza, nada disso se compara com a alegria de saber que te tive. Mas tu não pudeste ficar, e tiveste de me deixar aqui, sozinha e triste. Desculpa mas não compreendo que sejas mais importante noutro lado, do que aqui connosco. Parece que estavas destinado a algo maior, a algo especial. Eu fui apenas o veículo para chegares onde estás agora. Dói tanto... dói-me a alma, meu anjo. Sinto-me despedaçada por dentro, falta-me um pedaço de mim, faltas-me tu! Eu sei que não podias ficar. Eu sei que estás num sítio melhor. Eu sei… eu sei…

Agora, estás comigo em cada sorriso, em cada lágrima. Estás comigo para sempre, és parte de mim e eu sou parte de ti. Sou mãe de um anjo. Sou mãe de uma estrela. E isso é algo que só eu e tu podemos entender. Onde quer que estejas, anjo, quero que saibas que te amo e que nunca te esquecerei. É altura de partires para a tua estrela, agora. É altura de te deixar partir. Vai, meu bebé eterno. Vai e porta-te bem. A mãe e o pai estarão aqui sempre, nunca te esquecerão. Serás sempre o nosso primeiro menino. Amo-te.



20 abril 2006

um mês

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Há um mês atrás, a tristeza, a desilusão, a terrível verdade de que não estavas presente deixou-nos, a mim e à tua mãe, de rastos. Hoje a vida recuperou um pouco do seu ânimo, mas o tempo frio, ventoso e chuvoso que se tem feito sentir não deixa de estar em concordância connosco. Aqui e ali, algures uma hora e pouco mais, vão surgindo algumas 'abertas'. Tiramos os casacos, suamos um pouco, mas logo depois vem um vento frio, uma 'morrinha', um aconchegar do edredon.

Já lá vai um mês.
Vai-nos aguantando o permanente diálogo contigo e a esperança de na próxima tentativa podermos sorrir sem sobressaltos até ao fim...

07 abril 2006

um dia de cada vez

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desculpa-me se o trabalho em excesso me tem feito passar os dias de forma menos dolorosa.
desculpa se há datas que imaginámos em conjunto e quando chegam ainda nos doem porque nos lembram de ti.
desculpa se ainda custa.
desculpa se mantemos este egoísmo e hesitamos por vezes em olhar mais para o futuro.
desculpa.
estou a fazer um esforço.
queremos-te, desejamos-te, esperamos-te; temos apenas receio dq que este milagre que é originar uma Vida nos escape por entre os dedos.
mas confia em nós.
ficaremos mais fortes.
juntos.
os três.

03 abril 2006

em recuperação

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olá filhote.

este sábado a tua mãe andou bastante melhor.
passeámos pelo parque eduardo VII, pelo jardim da Amália, pelas ruas, fomos à Zara (onde a tua mãe comprou uma camisa de cetim que lhe assenta espectacularmente) e depois fomos ao cinema. Ficou bem mais animada.

Depois, de surpresa, arranquei e levei-a ao cabo espichel.
era uma da manhã quando chegámos. A Lua estava a desaparecer e ficámos a vê-la. Desapareceu por completo, num misterioso eclipse ou coisa parecida. No céu, a tua mãe disse adeus a uma estrela muito, muito brilhante. Disse que eras tu que estavas ali em cima, a brincar e a dizer olá.
- Olá Diogo!, disse ela baixinho.

Olhamos-te os dois. Eu tentei tirar uma fotografia, mas apesar da exposição demorada, as pilhas foram-se! Troquei por outras e a segunda tentativa mostrou apenas um céu com uns pontinhos muito fraquinhos. Ali estavas tu, tão pequenino e brilhante.

Temos que acreditar que o que aconteceu foi apenas um percalço, algo normal e Natural (assim, com N grande). Tu vais nascer. Forte e saudável. Provavelmente em Maio, para seres teimoso como uma mula, igual aos teus avós!

Até lá, vamos falando por aqui.
Um abraço muito, muito forte, filhote!

29 março 2006

futebol

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começo a parecer um verdadeiro pai chato, mas há que repeti-lo:
- encontras no futebol os melhores exemplos e comparações para o que se passa e se procura explicação para tantas coisas no dia-a-dia da vida moderna.

28 março 2006

pôr no papel

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sempre que puderes obriga-te e conta, mostra, partilha, pensa e fala pelas palavras desenhadas pelo teclado ou pela ponta da caneta.
sabe tão melhor!

27 março 2006

desporto

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saibas tu sempre que sem desporto não há vida que valha a pena.
se dois conselhos puderes guardar, em exclusivo, que sejam esses dois dos antigos gregos (grandes malucos por batas brancas e chinelas mal jeitosas), e que disseram isto muito bem dito, quiçá imbuídos pelo odor outrora limpo do mediterrâneo:

- conhece-te a ti próprio
&
- mente sã em corpo são


acredita nisto.
e olha que eu acredito e nunca andei de chinelas.

tempos mornos

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a tua mãe já está melhor.
fomos no sábado, de novo, ao Dª. Estefânia; a médica diz que o corpo dela está a reagir normalmente e recomendou que tomasse a pílula logo a partir de sábado.
nesse dia vimos lá uma mãe grávida de 5 / 6 meses, que afectou inclusive as próprias médicas de serviço; não soubémos o que se passou, mas o rosto daquela mãe e as lágrimas que ela verteu ao sair, quase sem se conseguir mexer, creio que nunca mais nos sairão da memória...

tu, pelo teu lado, terás de continuar a brincar por aí, algures onde estejas, saltimbanco por entre nuvens e jogos e cenários incríveis; os próximos três meses são para recuperação da tua mãe.

hoje ainda ficou em casa; está lá a tua avó, com ela; eu sou-te sincero - preferia que ela tivesse ido trabalhar, ocupar-se, enfrentar o mundo e partir o mais cedo possível para um recomeçar.

ainda correm algumas lágrimas, sobretudo no silêncio da noite quando o sono não chega, sobretudo quando se lembram datas que deveriam estar a acontecer; agora, só daqui a uns tempos...

vamos nós por aqui falando, no entretanto.

22 março 2006

Dias difíceis

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a consulta com a ginecologista correu bem. segundo ela, e segundo os milhentos sites e fóruns consultados, cerca de 30% das gravidezes (credo, é mesmo assim que se escreve) acabam em aborto. Pelos vistos, e cruzando informação com a de outra ginecologista, o que aconteceu foi que se deu uma espécie de ovo-branco, um pequenino embrião que logo foi rejeitado pelo corpo mas que este, apesar de tudo, continuou a desenvolver no entretanto o saco e cordão umbilical; daí não se ver, nunca, nas ecograficas, sinal de embrião...

a tua mãe ficou menos devassada, sabendo por isso que já não estavas ali, dentro dela, dentro da barriga dela, paradinho, à espera de alguém a expulsar-te. Em vez disso, já te foste embora há bastante tempo. Agora é deixar os comprimidos actuarem, aguentar as enormes dores e esperar que o corpo, por si, expulse tudo de forma natural, para evitar a raspagem.

o mais curioso é que, agora que tivemos de contar o sucedido às pessoas que já sabiam da tua chegada, muitas vieram revelar que passaram por semelhantes casos. Abortos retidos, abortos espontâneos e demais casos, com maior ou menor gravidade, alguns até com risco de vida para a própria mãe pelo meio, todos surgiram, como nascidos de súbito de uma caixa fechada por chaves tabu que ninguém gosta ou quer revelar, lembrar, partilhar, senão quando outra pessoa, próxima, passa pelo mesmo.

São muitas, portanto, as histórias traumáticas, de lágrimas, suor e uma vontade enorme de deixar tudo para trás e esquecer, esquecer, esquecer...

21 março 2006

Olá Diogo. Adeus Diogo...

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olá filhote.
pelos vistos não resististe.

ontem fomos ver, afinal, de quantas semanas estavas.
sabíamos que a primeira 'eco' tinha sido demasiado cedo, que um pixel era brincadeira e que o médico tinha apontado no exame, como o teu tamanho aproximado de 2 milímetros, apenas como estimativa.
queríamos saber como estavas, queríamos sossegar-nos, ver-te a mexer, ali, no meio do escuro, depois de ter falado contigo, contado histórias e guardado segredo.
não te vimos.

apenas o saco da tua mãe, o cordão umbilical, e nada mais.
o médico não fez cara alegre, e estava tudo dito. ainda escreveu que será preciso fazer novo exame, daqui a uma semana. mas eu e a tua mãe sabemos, pelos maus sonhos que temos tido, que tu voltaste para o mundo das nuvens e das palmeiras, entre naves espaciais e bolas de berlinde e mil e uma outras crianças como tu, que ora vêm, ora vão...

resta-me resisitir, ajudar a tua mãe e guardar-te para sempre.
vamos-te recordar e amar sempre muito!
 

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